Projeto perto do Centro alerta para risco de expulsão de moradores
Proposta da prefeitura de BH prevê melhorias urbanísticas em bairros como Lagoinha e Concórdia, mas comunidades apontam pressão imobiliária.

Redação
Institucional

Túnel do Complexo da Lagoinha, em BH. Foto: Divulgação PBH
A proposta da Prefeitura de Belo Horizonte para melhorar a estrutura de bairros que ficam no entorno do Centro gerou um longo debate na Câmara Municipal e entre moradores das regiões afetadas.
Durante audiência pública nesta terça-feira (17), parlamentares e representantes de algumas das comunidades tradicionais dos bairros como Lagoinha, Floresta, Bonfim, Carlos Prates e Concórdia levantaram críticas ao PL 574/2025, principalmente com relação a mudança de perfil desses bairros e sua possível descaracterização.
O PL, de autoria da Prefeitura de Belo Horizonte, apresenta a criação de uma chamada “operação urbana simplificada” para impulsionar a regeneração de bairros da região central. Na prática, a proposta pode abrir caminho para obras e reformas de reaproveitamento de imóveis que já existem, incluindo casas e edificações antigas que são características desses bairros.
O projeto ainda está em tramitação inicial, e passará por diversas comissões dentro da Câmara até ser levado em votação.

Segundo o texto do projeto, a Prefeitura pretende incentivar a reforma de prédios antigos, a adaptação de imóveis para novos usos, a recuperação de obras abandonadas e a atualização de construções já existentes, com possibilidade de conversão para comércio ou moradia.
Para Cida Dantas, presidente da Associação de Moradores da Lagoinha, as demandas da região passam por investimentos básicos e estruturantes, e não pela construção de grandes empreendimentos. Ela também chamou atenção para o fato de que os serviços públicos locais já operam acima da capacidade, o que pode agravar ainda mais a situação com novas intervenções.
“Nosso único centro de saúde tem capacidade para 8 mil atendimentos, e atende hoje 14 mil pessoas. Como vão fazer prédios de 40 andares lá?", questionou Cida Dantas.”
Entre as críticas mais recorrentes está o uso de termos como “degradação” para caracterizar áreas que, segundo moradores e lideranças, possuem vida cultural e social ativa. Parlamentares da oposição também questionaram a falta de detalhamento sobre as intervenções previstas e pediram mais tempo para discussão do projeto.
Há ainda preocupação com o processo de valorização imobiliária que pode resultar na expulsão de moradores antigos — ação conhecida como gentrificação — especialmente em territórios ocupados por populações mais vulneráveis.
Já representantes da prefeitura defendem que o projeto faz parte de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento urbano e afirmam que ajustes estão sendo feitos.
A subsecretária de Planejamento Urbano, Renata Herculano, defendeu que o projeto é ancorado no Plano Diretor da cidade, e que ele é parte de uma "estratégia de reequilíbrio urbano", considerando que é importante equilibrar o adensamento populacional com as oportunidades de trabalho, que são diferentes na Região Central e nos bairros da cidade.
“Nosso desafio é trazer mais pessoas para morar no Centro e dar capacidade de desenvolvimento às centralidades”, afirmou Renata Herculano. Como encaminhamento da audiência, a Câmara deve cobrar explicações sobre como será garantida a participação das comunidades.
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