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    10 manifestos que ajudam a entender o Carnaval de BH como espaço de luta

    No Carnaval de Belo Horizonte, alegria e reivindicação caminham lado a lado.

    Jô Andrade

    Jô Andrade

    Repórter

    5 min21 de fevereiro de 2026
    10 manifestos que ajudam a entender o Carnaval de BH como espaço de luta

    Foto: Marcos Gomes

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    O Carnaval vai muito além da festa, da música, do suor e do glitter, ele também é ocupação das ruas, lutas históricas, reivindicações e manifestos sociais. Entre as ladeiras, ruas e avenidas de Belo Horizonte, blocos, foliões e coletivos transformam a folia em ato político e fazem da alegria uma forma de protesto.

    Entre os dias da festa popular brasileira, você certamente viu por aí as expressões “Não é não”, “Gente é pra brilhar”, “BH é quem?”, entre outras que reforçam o recado de luta contra o machismo, a homofobia e o assédio.

    Juntos, esses lemas ajudam a contar como o Carnaval de Belo Horizonte se consolidou como um dos mais políticos do país, onde brincar também é resistir.

    Relembre 10 manifestos de convivência no Carnaval:

    Não é não

    O movimento que começou em meados de 2016 e 2017 tomou conta de inúmeros atos nas ruas de todo o Brasil. Foi o ano em que as mulheres tomaram as ruas, eventos e festas para exigir o respeito e a liberdade dos seus corpos em qualquer espaço, um grito contra o assédio e em defesa do consentimento. O manifesto reforçou que a recusa deve ser respeitada em qualquer contexto, inclusive no carnaval.

    Gente é pra Brilhar

    Tema e hino do maior bloco de Belo Horizonte, o manifesto “Gente é pra Brilhar” também ocupa as ruas do carnaval como ferramenta para fortalecer a celebração da vida, da cultura e da diversidade. O tema é um chamado para que as pessoas “brilhem” da forma que são, e que o poder público cuide dessa população para que todos não vivam com menos do que nasceram para ter.

    Depois do não, tudo é assédio

    Junto ao Não é Não, a campanha reforça a luta contra o assédio sexual ou toque não consentido. Neste caso, quando alguém diz “não” a qualquer tipo de aproximação física, tentativa de beijo ou toque sem consentimento, qualquer insistência posterior — por mais leve que pareça — configura assédio e até crime de importunação sexual. O tema ganhou força e apoio da sociedade nao só no carnaval, mas também em shows, eventos e bares.

    Carnaval não é caso de polícia

    O manifesto surgiu quando blocos e foliões passaram a perceber e criticar abordagens policiais consideradas excessivas, defendendo que a folia deve ser tratada como um espaço de festa e não de punição. Nos últimos três anos, os participantes do carnaval de BH relataram intervenções desproporcionais por parte da Polícia Militar.

    BH é quem? BH é nóis

    Um dos queridinhos que ganhou força nas disputas do Duelo de MCs também ocupa as ruas do carnaval de BH. O manifesto traz o sentimento de pertencimento à cidade e de afirmação de protagonismo social nas ruas durante os festejos.

    BH é quem? BH é trans

    Na caminhada de visibilidade trans de 2026, o bloco Beagá Trans lançou o tema de carnaval com um trocadilho político com a versão popular da expressão “BH é quem? BH é nós”. O bloco faz parte do Movimento Autônomo Trans de BH (MovAT), que nasceu da urgência de existir e resistir na folia mineira, e o cortejo ocorreu no dia 9ª Caminhada da Visibilidade Trans e Travesti.

    Corpos livres

    O manifesto "Corpos Livres" também surgiu com tantos outros que lutam por liberdade, fazendo referência à ideia de que todos os corpos têm o direito de existir, se expressar e ocupar o espaço público sem opressões ou normatizações sociais. O movimento defende que homens e mulheres trans, pessoas não binárias, gordas, magras e outras tantas tenham segurança para existir em todos os espaços da cidade, principalmente no carnaval.

    Tira o pé da minha serra

    Como forma de luta pela preservação da Serra do Curral, foliões e representantes de inúmeros blocos de Belo Horizonte levantaram côros com o Tira o Pé da Minha Serra. Na época, um dos cartões postais da capital mineira estava sob ameaça da mineração, que ainda assim, devastou parte da Serra. Os foliões fizeram atos políticos acusando o governo de Minas de má gestão ambiental.

    Fora, Zema

    De distribuição de adesivos nos cortejos dos blocos de carnaval até marchinhas de bandas, o manifesto contra o governador Romeu Zema é um dos mais populares nos movimentos sociais de BH. Fazendo oposição ao governador mineiro, o ambiente carnavalesco mais uma vez reforça o caráter político do carnaval, em que temas de cultura, meio ambiente e participação comunitária ganham voz entre blocos, artistas e foliões.

    Deixa a onça beber água

    Em defesa dos rios que passam em Belo Horizonte e região, a expressão "Deixa a Onça Beber Água” já era tema dos cortejos do bloco Tico Tico Serra Copo há dez anos. O tema faz referência a necessidade de cuidado ambiental em toda cidade, mas principalmente com o Ribeirão do Onça, que nasce em Contagem, na região metropolitana, passa por bairros de Belo Horizonte e deságua no Rio das Velhas.

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    Sobre o autor

    Jô Andrade

    Jô Andrade

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    Jornalista especialista em textos pela UFMG, com passagens pelos veículos g1, BHAZ e Sou BH. Experiência em jornalismo digital, reportagem e edição de conteúdo.

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