Xôti Falá
    Início
    Diálogo
    Nossa Cidade
    Planeta
    Cena
    Gente
    Prosa
    Sobre nós
    Home/Nossa Cidade
    eleições 2026Minas GeraisBelo Horizonte

    A eleição acabou. E agora, BH?

    A vitória de Lula foi histórica, mas BH segue como reduto bolsonarista. Para mudar o futuro da cidade, a mobilização popular não pode parar.

    Malu Almeida

    Malu Almeida

    Colunista

    4 min28 de outubro de 2026
    A eleição acabou. E agora, BH?

    Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

    Compartilhar

    Ufa! Podemos respirar com um certo alívio agora que as eleições presidenciais passaram e conseguimos conquistar um final feliz. Derrotamos a extrema-direita nas urnas com uma virada histórica, fruto da maior mobilização popular que esse país já viu. É como o próprio Lula gosta de dizer: “nunca antes na história desse país!”.

    Minas Gerais foi fundamental na virada. Fomos o segundo estado onde o presidente Lula ganhou mais votos em relação ao primeiro turno, perdendo somente para São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Foram mais de 1,1 milhão de votos conquistados por aqui, o que fez com que a máxima “quem ganha em Minas, ganha o Brasil” seguisse sendo a única regra histórica que se manteve nessas eleições. Aquela lá de que “o candidato que sai na frente no primeiro turno é o que ganha as eleições” nós fizemos cair por terra!

    Em Belo Horizonte, Lula conseguiu crescer aproximadamente 150 mil votos em relação ao primeiro turno, mas, ainda assim, não conseguiu conquistar a maioria dos votos válidos, fechando as urnas belo-horizontinas com 49,20%.

    Na noite da apuração, eu vivi uma amostra desse percentual desfavorável. No momento da breve virada do candidato do PL (urgh!), houve uma queda de energia no bairro em que estou morando. O escuro foi o suficiente para encorajar os vizinhos bolsonaristas a criar um clima de terror. Sem televisão, sem internet e com o sinal do telefone fraco, eu e meu companheiro ficamos ouvindo berros ameaçadores, prometendo vingança aos adversários na ocasião de uma vitória. Alguns vizinhos lulistas tentaram rebater e nós nos somamos a eles em um clássico “olê, olê, olê, olá”, mas logo buzinas e carros adesivados de 22 começaram a se avolumar na rua. Pavoroso.

    Mesmo com um salto de quase 8 pontos percentuais de um turno para o outro, a nossa cidade ainda é um dos principais palcos do bolsonarismo no Brasil. É aqui o berço de figuras de projeção nacional do PL, como um certo deputado-mirim que enriqueceu mais de R$3,8 milhões de uma mandato para o outro, segundo suas próprias declarações de patrimônio ao TSE. Não vou dar nome aos bois, porque sou devota de Deia Freitas e prefiro não nomear os piores personagens das histórias de golpe.

    Mesmo jovem, esse desquerido já gerou uma prole política bastante barulhenta e popular. Seus ex-assessores contam hoje com mandatos na Câmara de Vereadores e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), com recordes de votação nas duas casas. Dentre os cinco deputados estaduais mais votados nesta eleição, figura apenas uma candidatura progressista, a petista Beatriz Cerqueira. Essa, sim, merece ser nomeada em toda e qualquer oportunidade.

    O deputado mais votado na ALMG já é nosso conhecido e disputou o segundo turno das eleições municipais contra Fuad Noman. Também não vou nomeá-lo. Se não estiver lembrando, joga no Google. Com mais uma votação recorde, ele dificilmente recuará dessa corrida daqui a dois anos - a não ser que seu progenitor político tome seu lugar. Em nenhuma das hipóteses Belo Horizonte terá uma disputa tranquila.

    Tendo esse cenário se desenhando à nossa frente, a ala progressista da cidade deveria se aproveitar da onda de mobilização popular que despertou agora e se fortalecer com candidaturas populares e competitivas, tomando a experiência fracassada de “frente ampla” de 2024 como aprendizado. Digo fracassada porque, mesmo tendo derrotado a extrema-direita à época, hoje temos à frente da Prefeitura um ex-apresentador esportivo que é inimigo da Educação, destruidor de ciclovias e apoiador de bet, cujo sonho é dar à Belo Horizonte arranha-céus de 50 andares.

    Eu poderia citar outros deméritos dele aqui, mas vou me ater ao limite de caracteres. Em vez disso, quero deixar meu humilde apelo não só às lideranças políticas locais, mas a toda aquela multidão que vimos lotar o centro de Belo Horizonte nas últimas semanas: continuem! A gente conquistou uma vitória gigantesca, mas não podemos parar agora. Muito menos deixar para 2028.

    Compartilhar:

    Tags:

    eleições 2026Minas GeraisBelo Horizonte

    Sobre o autor

    Malu Almeida

    Malu Almeida

    Colunista

    Mestre em Comunicação Social pela UFMG e mobilizadora na Minha BH, trabalha com campanhas de ativismo cidadão voltadas à defesa da democracia, da justiça climática, racial e de gênero. Radicada em Belo Horizonte, tem na bicicleta, no carnaval e na vida urbana seus principais territórios de atuação.

    Xotifala

    Jornalismo independente, acessível e comprometido com a verdade.

    Editorias

    • Diálogo
    • Nossa Cidade
    • Planeta
    • Cena
    • Gente
    • Prosa

    Institucional

    • Sobre nós
    • Política Editorial
    • Política de Privacidade
    • Termos de Uso
    • Teia de Criadores
    Xôtiscutá!

    Tem uma história importante? Queremos escutar você.

    Enviar email

    © 2026 Xotifala. Todos os direitos reservados.

    Feito por Buzz33