Assessor de vereador em MG é exonerado após debochar de possível extermínio de pessoas LGBT
Servidor publicou mensagem nas redes sociais após votar no segundo turno das eleições.

Jô Andrade
Repórter
Servidor publicou mensagem nas redes sociais após votar no segundo turno das eleições. Foto: Reprodução/redes sociais
O assessor parlamentar Eric Dias de Souza foi exonerado após publicar um story no Instagram debochando de uma possível perseguição contra pessoas da comunidade LGBTQIAPN+. A demissão foi anunciada nesta segunda-feira (26) pelo vereador Samuel de Padre Viegas (Republicanos-MG), da cidade de Mariana, região Central de Minas Gerais.
A publicação foi feita no domingo (25), dia do segundo turno das eleições presidenciais. Em suas redes, Eric publicou uma foto segurando seu comprovante de votação e escreveu a legenda: "Para alegria de amigos vermelhinhos mais um voto no 22 hoje... Já arrumem as malas para fugir para as colinas. Bolsonaro ganhando vão caçar vocês, exterminar os gays e acabar com a democracia" (veja foto abaixo).

Em suas redes sociais, o ex-assessor publicou um vídeo se desculpando pelo post. Ele afirmou que não houve intenção de incitar violência ou perseguição contra nenhum grupo.
"Quando publiquei aquilo era pra fazer um post num tom irônico e sarcástico para apresentar, da minha forma de expressar, uma crítica a algumas pessoas de esquerda para com a direita [...]. São coisas que eu acredito que não aconteceriam com a vitória do lado da direita. Quando publiquei, admito que na minha cabeça não pensei que seria uma dor verdadeira de muitas pessoas, e vejo que é sim, então peço desculpas", contou.
O caso foi denunciado pelo perfil Mães Da Resistência, que alertou que a publicação estava longe de ser uma "brincadeira", e exigiu que o vereador prestasse esclarecimento público sobre quais medidas concretas seriam tomadas após o episódio.
"A violência contra pessoas LGBTQIAPN+ não é brincadeira. A ameaça à existência, à dignidade e aos direitos fundamentais de nossa população não pode ser banalizada, sobretudo por quem ocupa uma função pública", afirmou o movimento.
Em nota, o vereador Samuel de Padre Viegas afirmou que, apesar de a publicação ter sido feita no perfil pessoal do assessor, o caso exigia uma resposta concreta.
O parlamentar destacou que ameaças de perseguição e violência não devem ser tratadas como brincadeira e que a decisão pela exoneração foi tomada diante da quebra de confiança necessária para o exercício da função pública.
"Diante dos fatos e da necessidade de oferecer uma resposta concreta à sociedade, decidi pela exoneração do assessor parlamentar envolvido. A medida será formalizada pelas vias administrativas competentes, conforme as normas da Câmara Municipal. Essa decisão decorre da avaliação da relação de confiança necessária ao exercício da função pública. Trata-se de uma providência administrativa, sem antecipação de juízo sobre eventual responsabilidade criminal".
Já a Câmara Municipal de Mariana manifestou solidariedade à comunidade LGBTQIAPN+ e classificou o conteúdo publicado como incompatível com os valores que devem orientar a atuação de servidores públicos. A Casa informou que o pedido de exoneração foi encaminhado pelo vereador antes da abertura de uma sindicância e que o desligamento do assessor passa a valer nesta terça-feira (27).
"A Câmara reconhece a importância das manifestações do movimento Mães da (R)existência e das demais pessoas que solicitaram esclarecimentos e providências. O Legislativo marianense permanece aberto ao diálogo com a sociedade e reafirma que o respeito à diversidade e o cuidado com a dignidade de cada pessoa devem estar presentes no atendimento à população, nas relações de trabalho e na atuação pública".
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