A coleta seletiva porta a porta de Belo Horizonte entrou em paralisação por tempo indeterminado nesta sexta-feira (12). A decisão foi anunciada por cooperativas e associações de catadores responsáveis pelo serviço na capital, que afirmam não ter recebido respostas definitivas da Prefeitura e da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) para reivindicações que foram solicitadas há anos.
Segundo as organizações, dois pontos estão no centro do impasse:
- implantação do contrato de triagem dos materiais recicláveis, serviço público prestado diariamente pelas cooperativas e associações sem remuneração específica
- reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos de coleta seletiva, solicitado em 2021.
Tentativa de diálogo
Os catadores dizem que chegaram a ouvir da própria SLU, em uma reunião realizada em fevereiro de 2025, que havia recursos disponíveis para viabilizar a contratação da triagem.
Mais de um ano depois, porém, afirmam que não receberam proposta formal, cronograma ou qualquer definição sobre a implementação da medida.
"As cooperativas e associações ressaltam que a paralisação representa uma medida extrema diante da falta de avanços nas negociações e da ausência de respostas concretas aos pleitos apresentados ao longo dos últimos anos", diz a nota das cooperativas.
Por nota, a prefeitura de BH afirmou que vem investindo na melhoria da coleta seletiva e das condições de trabalho da categoria.
"Recentemente, a Prefeitura instalou esteiras de triagem horizontal em quatro galpões de cooperativas de catadores: Coopesol Leste, Coopersoli Barreiro, Asmare (Unidade II) e Coomarp. O investimento foi de cerca de R$ 1 milhão. Em 2025, seis novos caminhões compactadores foram entregues às associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis da capital, para a renovação da frota. Foram investidos R$ 3,91 milhões. Todo o material recolhido pela coleta seletiva é destinado pela Prefeitura a essas entidades. A SLU também atua na manutenção dos galpões utilizados para o trabalho e realiza o pagamento do aluguel daqueles que não pertencem ao patrimônio da PBH", informou o município.
A suspensão do serviço pode afetar a coleta de materiais recicláveis em diferentes regiões da cidade. Mesmo assim, as entidades pedem que os moradores continuem separando os resíduos em casa. A paralisação, segundo elas, será mantida até que haja uma resposta efetiva da Prefeitura para as demandas apresentadas.