Com 25,2 milhões de pessoas nas casas de apostas, bets deixam prejuízo de R$ 38 bilhões no Brasil
Estudos apontam que vício em apostas online já coloca milhões em risco e gera um custo social bilionário.

Jô Andrade
Repórter

Mais de 25 milhões de brasileiros estão nas casas de apostas. Foto: Flickr
O vício em apostas online, as famosas bets, é a nova epidemia e desafio do governo brasileiro para os próximos anos. Segundo dados do Ministério da Fazenda, só nas 79 casas de apostas autorizadas a operar no país são 25,2 milhões de pessoas cadastradas. O número não inclui as bets ilegais.
Ainda segundo a Fazenda, as casas de apostas provocaram uma perda de R$38,8 milhões no ano. O dinheiro do rombo deixado pelas bets representaria, por exemplo, a expansão de 26% do programa Minha Casa Minha Vida ou de 23% a mais do Bolsa Família.
Dados do Banco Central mostram, ainda, que os brasileiros gastaram R$ 240 bilhões em casas de apostas em 2024, e os beneficiários do Bolsa Família gastaram R$ 3 milhões, via pix, em agosto do mesmo ano.
Para tentar frear o avanço das casas de apostas, o governo federal anunciou nesta sexta (19) que um novo decreto, assinado pelo presidente Lula (PT), vai criar regras mais rígidas de bloqueio ao dinheiro das bets ilegais no país. A ideia é impedir que elas continuem movimentando recursos no sistema financeiro.
Segundo o decreto, quando uma bet irregular for identificada, o governo poderá acionar bancos e instituições financeiras para bloquear contas e suspender transações em até 24 horas.
O dinheiro apreendido poderá ser destinado ao Fundo Nacional de Segurança Pública. O processo será acompanhado por órgãos do governo, como a Secretaria de Prêmios e Apostas e o Banco Central, e também prevê investigação e direito de defesa para os envolvidos.

Um estudo divulgado em dezembro de 2025 ainda mostra o tamanho do buraco que os brasileiros foram empurrados. De acordo com a pesquisa “A saúde dos brasileiros em jogo”, o vício nesses jogos online deixou 12,8 milhões de pessoas em situação de risco.
Além disso, a pesquisa ainda aponta que o Brasil tem um custo social anual que incluem, aproximadamente, R$ 17 bilhões associados a mortes por suicídio e R$ 10,4 bilhões relacionados à perda de qualidade de vida por depressão.
Outros R$ 3 bilhões são gastos com tratamentos médicos para depressão. Além disso, também entram na conta R$ 1,3 bilhão por perda de moradia, R$ 2,1 bilhões em benefícios de seguro-desemprego e R$ 4,7 bilhões ligados a casos de encarceramento por crimes associados ao problema.
No total, cerca de 78,8% desses custos (ou R$ 30,6 bilhões) estão relacionados diretamente a impactos na saúde.
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