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    De BH para Hollywood: dois filmes mineiros podem representar o Brasil no Oscar

    “Nosso Segredo” e “Vicentina Pede Desculpas” estão entre os seis finalistas escolhidos pela Academia Brasileira de Cinema

    Alícia Lanna

    Alícia Lanna

    Jornalista

    5 min10 de setembro de 2026
    De BH para Hollywood: dois filmes mineiros podem representar o Brasil no Oscar

    Foto: Divulgação

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    Dois filmes mineiros estão entre os seis finalistas que disputam a vaga para representar o Brasil no Oscar 2027, na categoria de Melhor Filme Internacional. “Nosso Segredo”, primeiro longa dirigido por Grace Passô, e “Vicentina Pede Desculpas”, novo trabalho de Gabriel Martins, passaram pelo corte realizado nesta quarta-feira (9) pela Comissão de Seleção da Academia Brasileira de Cinema. Os dois têm Belo Horizonte não apenas como cenário, mas como parte fundamental das histórias que contam.

    A presença dupla de Minas acontece em um momento especialmente quente para o audiovisual brasileiro. Em 2025, “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, conquistou o primeiro Oscar da história do Brasil ao vencer como Melhor Filme Internacional. Um ano depois, “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, chegou à cerimônia com quatro indicações, incluindo Melhor Filme, Filme Internacional e Melhor Ator para Wagner Moura. Não levou estatuetas, mas manteve o cinema nacional no centro das atenções internacionais.

    Agora, começa outra corrida. Ao todo, 15 longas estavam inscritos na seleção brasileira. Depois da análise da comissão, seis permaneceram na disputa:

    • “100 Dias”, de Carlos Saldanha
    • “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai
    • “A Natureza das Coisas Invisíveis”, de Rafaela Camelo
    • “Feito Pipa”, de Allan Deberton
    • “Nosso Segredo”, de Grace Passô
    • “Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins

    Do Brasil pro mundo

    A escolha do representante brasileiro é feita pela Academia Brasileira de Cinema, e não diretamente pela Academia do Oscar.

    Neste ano, a comissão responsável pelo processo tem 15 integrantes: 12 escolhidos por votação entre os associados da Academia Brasileira e três indicados pela diretoria. No dia 9 de setembro, o grupo reduziu a lista de inscritos para seis. Em 16 de setembro, escolherá o único longa que será oficialmente enviado pelo país.

    Para participar da seleção brasileira, entre outras exigências, as produções precisavam ter estreia comercial entre 1º de outubro de 2025 e 30 de setembro de 2026 e permanecer por pelo menos sete dias consecutivos em exibição comercial.

    Só depois da escolha brasileira começa a corrida internacional propriamente dita.

    Pelas regras do Oscar 2027, os filmes elegíveis de diferentes países entram em uma primeira votação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Dessa disputa saem 15 títulos, a chamada shortlist (lista curta) de Melhor Filme Internacional. Depois, uma nova votação reduz esses 15 a apenas cinco indicados oficiais ao Oscar.

    A shortlist será anunciada em 15 de dezembro. Os cinco indicados ao Oscar serão conhecidos em 21 de janeiro de 2027, e a cerimônia está marcada para 14 de março.

    Ou seja: se “Nosso Segredo” ou “Vicentina Pede Desculpas” for escolhido no dia 16, Minas terá vencido a primeira batalha. Ainda restarão outras duas antes de aparecer oficialmente na lista de indicados.

    BH nas telonas

    Se os dois filmes mineiros têm algo em comum, além da vaga na disputa, é o fato de não tratarem Belo Horizonte como um cenário genérico.

    “Nosso Segredo” marca a estreia de Grace Passô na direção de um longa-metragem. A história acompanha uma família negra que tenta reconstruir a própria rotina depois de uma perda. Enquanto cada integrante enfrenta o luto de uma maneira, o filho mais novo guarda um segredo capaz de mexer nas dores que atravessam a família. Grande parte do filme se passa dentro da casa dos personagens, mas a capital mineira também aparece pelas ruas.

    O longa chega à corrida pelo Oscar já premiado. Em agosto, conquistou três Kikitos no Festival de Gramado, incluindo o de Melhor Filme, além dos prêmios de Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte.

    Do outro lado está “Vicentina Pede Desculpas”, dirigido por Gabriel Martins e produzido pela Filmes de Plástico, uma das produtoras responsáveis por colocar o cinema feito na Grande BH em circulação nacional e internacional nos últimos anos.

    Rejane Faria interpreta Vicentina, uma professora aposentada de 75 anos. Seu filho, Wesley, é motorista de um ônibus que cai de um viaduto em Belo Horizonte. Quase todos os ocupantes morrem. Quando imagens do acidente levantam suspeitas de que Wesley possa ter provocado a tragédia intencionalmente, Vicentina decide procurar as famílias das vítimas para pedir desculpas e tentar entender o que aconteceu.

    A própria geografia de BH participa dessa jornada. Gabriel Martins contou que a equipe buscou mostrar diferentes partes da cidade durante os deslocamentos da personagem, incluindo o Barreiro e a Vila Pinho. Em entrevista ao BHAZ, contou que a intenção era “contemplar a cidade” e encontrar nas ruas uma paisagem que também ajudasse a contar a história.

    O filme é uma parceria da Filmes de Plástico com a Netflix e terá estreia nos cinemas em 5 de novembro, antes de chegar à plataforma no dia 20 do mesmo mês.

    E “Vicentina” ainda guarda uma carta interessante: o longa participa do Festival Internacional de Cinema de Toronto. A edição de 2027 do Oscar inaugurou uma nova possibilidade para a categoria internacional: além da indicação oficial feita por um país, um filme pode se tornar elegível ao vencer determinados prêmios em festivais reconhecidos pela Academia. O Platform Award de Toronto está justamente nessa lista. Portanto, caso “Vicentina Pede Desculpas” conquiste o prêmio, poderá entrar na corrida por essa segunda via.

    No dia 16, o Brasil escolhe seu representante. Até lá, Minas segue com duas cadeiras nessa sessão. E já tem motivo de sobra para ficar até os créditos finais.

    Com informações de BHAZ, Academia Brasileira de Cinema e Agência Brasil.

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    cinemaBHculturaoscar

    Sobre o autor

    Alícia Lanna

    Alícia Lanna

    Jornalista

    Jornalista pela UFMG e assessora de comunicação, atua na interseção entre comunicação política, direitos humanos e cultura. Experiência com povos e comunidades tradicionais, movimentos sociais e comunicação popular.

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    Jornalismo independente, acessível e comprometido com a verdade.

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