De vereador de BH a vice-líder de partido da ditadura militar: quem é o pai de Ana Paula Renault?
Gerardo Henrique Machado Renault, de 96 anos, é um dos políticos mineiros que participou ativamente de partidos da ditadura militar nos anos 1960.
Redação
Institucional
3 min
Gerardo e Ana Paula Renault. Foto: Reprodução/Redes sociais
Sabia que o advogado e ex-parlamentar Gerardo Henrique Machado Renault, pai da participante do Big Brother Brasil (BBB) Ana Paula Renault, é um dos nomes mais tradicionais e antigos da política mineira? E para o espanto de ninguém - ou de pouquíssimas pessoas -, a vida parlamentar de Gerardo foi criada e consolidada pela ditadura militar. Seu nome voltou a ser assunto após uma briga entre Ana Paula e outro participante do reality show, que rendeu curiosidades sobre a vida de seu pai.
Ele começou sua carreira política em Belo Horizonte como vereador pela União Democrática Brasileira (UDN). Antes mesmo do Brasil vivenciar o pior regime político da história, o advogado já fazia sua carreira política na câmara dos vereadores da capital, entre 1951 e 1967.
Sua vida na política institucional - que é como chamamos esses cargos de vereador, deputado, senador e presidente - rendeu ao advogado e suas gerações uma herança de privilégios vindos da própria ditadura, o que tornou a família Renault uma das mais tradicionais da elite mineira.
Entre outros nomes da família estão o escritor Abgar de Castro Araújo Renault, que já foi ministro da Educação e Cultura no governo Nereu Ramos (1955-1956) e Áureo Renault, irmão de Abgar, que foi secretário de Viação e Obras Públicas de Minas Gerais no governo de Juscelino Kubitschek (1951-1955).
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Partido da ditadura
Gerardo Renault contribuiu no fortalecimento do período da ditadura militar no Brasil, primeiramente, como deputado estadual entre 1968 e 1970 pelo partido golpista Aliança Renovadora Nacional (Arena), criado pelos próprios militares.
Após garantir sua reeleição em 1970, Gerardo foi vice-líder do partido Arena e também do governo de Minas, entre os anos de 1971 a 1973. Na sequência, atuou como segundo vice-presidente da Assembleia Legislativa. Já em seu terceiro mandato como deputado estadual, conquistado um ano depois, ele assumiu a primeira-secretaria da Casa e comandou as comissões de Mineração e Siderurgia e de Meio Ambiente.
Anos depois, em 1979, Gerardo foi eleito deputado federal por Minas Gerais pelo Partido Democrático Social (PDS), que foi sucessor do Arena e que mantinha os mesmos laços que sustentavam o governo golpista.
Segundo os registros da Câmara dos Deputados, Gerardo voltou a favor da emenda Dante de Oliveira, que faria com que o Brasil tivesse eleições diretas para presidente, pondo fim ao regime autoritário e anti-democrático. No entanto, o projeto foi derrotado antes mesmo de chegar ao senado após o governo militar esvaziar a votação. Na época, faltaram 22 votos para que a proposição fosse encaminhada, e mais de 100 deputados não participaram da votação.
O advogado e pai da participante do BBB chegou a apoiar o candidato Paulo Maluf nas eleições indiretas, que era o nome oficial do regime militar, mas foi derrotado por Tancredo Neves (PMDB).
Desde 1991, ele é presidente do Instituto de Previdência do Legislativo do Estado de Minas Gerais (IPLEMG). Gerardo também é aposentado pela Câmara dos Deputados, com rendimentos brutos que, segundo o Portal da Transparência, gira em torno de R$18 mil - valor apenas da aposentadoria como deputado federal.