Do curso de masculinidade ao feminicídio: o debate que não pode ser raso
Qual ou quais masculinidades cabem em um mundo que garanta direitos iguais entre homens e mulheres?

Márcia Maria Cruz
Colunista

Foto: Juliano Cazarré em vídeo. Reprodução/Redes Sociais
A polêmica se instaurou quando um ator lançou um curso sobre masculinidade. A iniciativa foi alvo de um lado de comentários dos conservadores em apoio e, do outro, das feministas críticas à premissa do modelo de família. No cerne do debate formas de masculinidades. O foco não deve ser na proposta do ator, obviamente ele tem direito de propor o curso e vai quem quer. Mas proponho uma discussão sobre masculinidade.
Qual ou quais masculinidades cabem em um mundo que garanta direitos iguais entre homens e mulheres?
Não dá para responder à pergunta sobre masculinidades, de forma honesta, sem levar em conta o número de mães solos, a desigualdade de direitos e salários das mulheres no mercado de trabalho e o número de feminicídios.
O ator contra-atacou as feministas que o criticaram alegando que elas ganham com a divisão, mesmo sendo ele a propagandear um curso pago. Está tudo bem em uma democracia visões distintas sobre modelos de família. Mas, prefiro eu amplificar a voz das feministas, que lutam por igualdade entre homens e mulheres, ou seja, dizem não a um modelo de família baseado na submissão das mulheres aos homens.
Faço coro porque o feminismo tem ainda um papel mais importante: garantir que não sejamos mortas. O número de mulheres assassinadas por seus companheiros no Brasil é assustador: quatro mulheres são mortas por seus companheiros por dia.
Cabe aos homens discutir masculinidades? Sim. A mudança dessas estatísticas tem que partir dos homens? Sim. Mas não é ensinando os homens serem superiores às mulheres que isso ocorrerá. Sugiro a todos os homens que querem discutir masculinidades partirem das premissas de feminicídio zero e da defesa da completa igualdades de direitos entre mulheres.
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