El Niño: O que você precisa saber sobre o fenômeno para os próximos meses
Cientistas já avisam sobre os riscos de um novo El Niño. A pergunta é se os governos vão se preparar desta vez.

Redação
Institucional

Cientistas já avisam sobre os riscos de um novo El Niño. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Comunidades científicas alertaram para mais uma ação do fenômeno atmosférico-oceânico “El Niño” no segundo semestre deste ano, fenômeno este que causa um aquecimento além do normal das águas superficiais do Oceano Pacífico.
Com o aquecimento das águas do oceano que cobre a maior parte do planeta, o El Niño influencia o clima em diferentes regiões do mundo. Tanto o aquecimento como o resfriamento alteram a circulação atmosférica global e os padrões de chuva e temperatura.
A agência meteorológica das Nações Unidas (ONU) previu um El Niño de moderado a forte, o que pode elevar muito, nos próximos meses, a temperatura em todo o mundo e risco de condições climáticas extremas.
No Brasil, vimos o efeito dele com as chuvas torrenciais no Rio Grande do Sul, no final de abril de 2024, que devastou cidades inteiras que não estavam preparadas para o evento climático dessa magnitude.
Mas, vale lembrar que nossos políticos e governantes já sabiam das possíveis tragédias que ocorreriam, e que poderiam ser evitadas com políticas públicas de bem-viver, como moradia digna, por exemplo.
Segundo nota técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), as previsões atuais, feitas em abril e maio deste ano, indicam que a ocorrência de um novo episódio do El Niño nos próximos meses, mas ainda é cedo para afirmar o grau de intensidade do evento nas cidades brasileiras.
Em uma das notas que avaliam os possíveis impactos do evento, o Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do Rio Grande do Sul afirma que a prevenção ajuda a proteger as pessoas mais expostas.
“A ocorrência de El Niño, por si só, não implica na materialização de desastres, que dependem também de fatores como exposição e vulnerabilidade. Ainda assim, o cenário reforça a necessidade de preparação por parte da gestão pública, com planos de contingência estruturados, atualizados e devidamente comunicados aos atores estratégicos e à população”, disse o Comitê, em nota.
Basicamente, o que os órgãos governamentais científicos pelo mundo estão dizendo é: os países precisam se preparar.
Nenhuma previsão pode cravar, exatamente, o que pode ocorrer com o avanço ou crescimento de um evento climático, mas novas simulações de modelos conjuntos dos Centros de Clima da Europa (ECMWF), Estados Unidos (NOAA) e da Austrália (BOM) apontam para “uma trajetória de alto impacto, com várias previsões sugerindo que o evento poderá se tornar o El Niño mais forte da história moderna, potencialmente superando o evento recorde de 1877/1878”. Porém, estas previsões ainda têm baixa confiabilidade no longo prazo.
O pesquisador e geógrafo Lucas Oliver explicou que as previsões apontam para um El Niño “clássico”, onde algumas regiões podem sofrer com seca e ondas de calor, enquanto outras com chuvas intensas.
“As regiões brasileiras que podem sofrer mais impacto, em geral, são o Nordeste e o Sul. O Nordeste com seca e o Sul com muita chuva. Uma coisa, antes de tudo, é que o El Niño não é algo simples, então, a gente pega um padrão, que ocorreu a maioria das vezes que teve é o evento [...], mas vai depender também de onde vai aquecer mais o oceano. Ainda não há um consenso científico, o que tem sido colocado em um artigo recente é que tem sido mais difícil prever o El Niño, a gente tem conseguido prever menos sua força, consequentemente, prevemos com menos antecedência”, afirmou o pesquisador.
Estudos sobre os impactos do El Niño são feitos desde a década de 1980 em várias regiões do Brasil e no mundo. O fenômeno tem maior influência no Sul do Brasil, principalmente com o aumento do volume de chuva durante as estações primavera e verão.
Ainda segundo o Cemanden, o sinal de aquecimento global pode contribuir para que anos de 2026 e 2027 sejam mais quentes do que 2023 e 2024, o que pode aumentar o risco de incêndios na Amazônia e no Pantanal e impactos na população devido ao estresse térmico, particularmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, caso o El Niño atinja a categoria de intenso.
“Mesmo o El Niño sendo um fenômeno que ocorre no oceano, ele pode influenciar também na atmosfera, porque o oceano pacífico ocupa metade do planeta, basicamente, então, ele vai influenciar bastante. Com o aquecimento global, o que acontece é que os efeitos que a gente tem aprendido nos últimos 30 anos ficam ainda mais extremos. Então, um El Niño atual, talvez mais fraco que um El Niño antigo, pode causar mais efeitos hoje em dia”, explicou Lucas Oliver.
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