Em eleição de viradas e recordes, só a tradição de Minas não foi quebrada
Em meio a tantas mudanças, uma tradição permaneceu: quem ganha em Minas Gerais, ganha no Brasil.

Redação
Institucional

Em eleição de viradas e recordes, só a tradição de Minas não foi quebrada. Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil
O ano de 2026 entrou para a história política do Brasil. Pela primeira vez, um candidato à presidência que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu virar a disputa e vencer no segundo. O feito histórico foi do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para seu quarto mandato com mais de 64 milhões de votos.
Em 2022, outra marca histórica já havia sido quebrada, quando Jair Bolsonaro (PL) se tornou o primeiro presidente a tentar a reeleição e ser derrotado. Mas, em meio a tantas mudanças, uma tradição permaneceu: quem ganha em Minas Gerais, ganha no Brasil.
Desde a volta das eleições diretas para presidente, em 1989, todos os candidatos eleitos para comandar o país também venceram em Minas Gerais. Foi assim com Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro. A tradição atravessou diferentes governos, partidos e disputas eleitorais, e continuou valendo em 2026.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) venceu em Minas Gerais com 48,24% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com 43,33%. Mas o cenário mudou no segundo turno, em 25 de outubro. Lula virou o resultado e venceu no estado com 50,43% dos votos, contra 49,57% de Flávio, uma diferença de pouco mais de 109 mil votos.
No resultado nacional, Lula também conseguiu a virada. O petista recebeu 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro terminou com 48,21%. Minas Gerais foi o único estado onde houve uma troca de liderança entre os dois turnos. Assim, além de garantir mais quatro anos na Presidência, Lula manteve viva uma tradição eleitoral que já dura quase quatro décadas.

Minas Gerais é um estado de muitos contrastes, e isso também aparece nas urnas. A realidade de quem vive em Belo Horizonte, por exemplo, é bem diferente da de quem mora no Norte de Minas ou no Vale do Jequitinhonha. São regiões com economias, condições de vida e necessidades distintas. Essa diversidade ajuda a explicar por que o resultado das eleições no estado costuma acompanhar o do restante do país.
Apesar da coincidência histórica, isso não significa que vencer em Minas seja uma garantia de vitória. Não existe uma regra científica por trás dessa tradição, que pode ser quebrada em uma próxima eleição. Por enquanto, porém, os mineiros seguem mantendo a fama de acompanhar o vencedor da disputa presidencial. E, em 2026, mesmo com uma virada inédita, não foi diferente.
Minas Gerais também tem um peso importante nas eleições por ser o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, atrás apenas de São Paulo. São mais de 16 milhões de eleitores espalhados pelos 853 municípios mineiros, o maior número de cidades entre os estados brasileiros. Com tanta gente votando, conquistar o eleitorado de Minas pode fazer uma grande diferença no resultado nacional, principalmente em disputas apertadas, como a de 2026.
Outro ponto importante é que Minas Gerais não tem um comportamento eleitoral igual em todas as regiões. Enquanto o Norte de Minas e os vales do Jequitinhonha e do Mucuri costumam apresentar maior apoio a candidatos do PT, regiões como o Triângulo Mineiro e o Sul de Minas têm registrado maior preferência por candidatos da direita nas últimas eleições. Essas diferenças mostram que o estado reúne eleitores com realidades e prioridades muito diferentes, o que ajuda a explicar por que Minas é tão disputada nas eleições presidenciais.
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