Entenda por que antigos prédios da UFMG no Centro de BH não serão transformados em moradia
Prefeitura pretende instalar secretarias municipais no antigo complexo abandonado e demolir três galpões menores.

Jô Andrade
Repórter

Complexo de prédios de antiga escola e engenharia da UFMG, no Centro de BH. Foto: Divulgação/PBH
O antigo complexo da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que fica no quarteirão entre as avenidas dos Andradas e as ruas da Bahia, Espírito Santo e dos Guaicurus, no Centro de BH, está prestes a ganhar um novo destino.
Um projeto em andamento, elaborado pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), pretende realocar secretarias do município e criar um espaço de convivência para os servidores públicos que trabalharem ali.
A proposta faz parte do mega projeto de requalificação do Centro, que, segundo a prefeitura, vai recuperar a circulação de pessoas e a atividade econômica em uma região que vem perdendo moradores, lojas e tantos outros estabelecimentos.
No entanto, a divulgação do projeto levantou uma dúvida nas redes sociais: por que a prefeitura não aproveita os prédios para criar moradias populares?

Segundo o secretário municipal de Política Urbana, Leonardo Castro, a resposta está principalmente nas características dos próprios edifícios.
Construídos nas décadas de 1950 e 1960 para receber salas de aula e laboratórios, os prédios têm pé-direito de mais de cinco metros, ou seja, mais de cinco metros de altura entre o piso e o teto, o que tornaria a adaptação para moradias mais cara.
Neste caso, a estrutura do edifício é mais propícia a receber o uso institucional proposto pela prefeitura.
“A reconversão de uso geraria um custo de mais de R$400 mil por unidade para a política habitacional. Com esse mesmo valor, a prefeitura consegue fazer muito mais moradia e atender muito mais gente. Então, não é eficiente o gasto para esse fim”, explicou o secretário.
O secretário disse ainda que a decisão não significa deixar de lado a criação de moradias no Centro.
Segundo ele, a prefeitura pretende combinar a ocupação institucional do antigo complexo com incentivos para aumentar a população de moradores na região.
“A gente quer reforçar esse movimento de requalificação do centro, tanto com a administração pública indo para lá [...] como também incentivos para a produção de moradia, que é algo que vai acontecer nos próximos anos”, afirmou.

O antigo complexo está abandonado há cerca de 20 anos, desde que a Universidade transferiu a Escola de Engenharia para o campus Pampulha.
Nesse período, houve uma tentativa de destinar os prédios ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que pretendia instalar no local o novo Fórum da Justiça do Trabalho. O projeto, porém, não avançou, e os edifícios permaneceram sem uso.
Hoje, o espaço é formado por seis edificações. Os dois prédios maiores, onde funcionavam salas de aula e laboratórios da Escola de Engenharia, devem ser mantidos e adaptados para receber as secretarias. Um terceiro imóvel, tombado e ainda ligado à UFMG, também será preservado.
Já três galpões menores devem ser demolidos durante a execução do projeto. No lugar deles, a secretaria de política urbana prevê a criação de um pátio interno, com espaço para restaurantes, cafés, livraria e outros serviços.
Segundo Leonardo, a intenção é que essa área tenha ligação com as ruas do entorno e possa ser utilizada não apenas pelos servidores que trabalharem no complexo, mas também por quem circula pela região.
“O que a gente pretende fazer ali é a demolição desses três galpões que são edificações bem menores, para criar um pátio interno que integre todos esses edifícios e que ali no no espaço térreo a gente consiga fomentar [...] restaurante, café, livraria, para que os servidores que que vão trabalhar no centro da cidade, além da de toda estrutura do centro que já tá disponível”, disse.

A prefeitura tem outros projetos que envolvem construções de novos edifícios no Centro, hipercentro e até mesmo nos bairros tradicionais que ficam no entorno.
Para além do projeto no complexo da UFMG, recentemente a PBH apresentou o PL 574/2025, que cria uma operação urbana para estimular novos empreendimentos e a recuperação de imóveis em diferentes regiões da capital. O projeto prevê benefícios ao setor imobiliário, como isenção de IPTU durante as obras, isenção de ITBI e, em algumas situações, perdão de dívidas tributárias.
O PL 547/2025 ficou conhecido como “PL da especulação imobiliária”, já que a proposta também cita incentivos à criação de moradias na área central, inclusive habitação de interesse social.
O texto recebeu críticas de movimentos sociais e vereadores, que questionam a falta de detalhes sobre como a moradia popular será garantida e alertam para o risco de valorização dos imóveis e aumento do custo de vida nos bairros atingidos.
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