Escândalo do Banco Master: quem são os mineiros presos pela operação?
Prisões em BH, bilhões bloqueados e conexões políticas: o avanço da Compliance Zero

Redação
Institucional

Fotos: Divulgação/Secretaria da Administração Penitenciária
A Operação Compliance Zero é uma das maiores investigações financeiras em curso no país e apura um esquema bilionário de fraudes envolvendo o antigo Banco Master, do banqueiro mineiro Daniel Vorcaro. A investigação, iniciada pela Polícia Federal em novembro de 2025, começou focada em suspeitas de irregularidades financeiras, mas acabou se ampliando e hoje também investiga possíveis conexões políticas, lavagem de dinheiro, corrupção e tentativa de obstrução das apurações.
Em instituições financeiras, “compliance” é o conjunto de mecanismos usados para prevenir fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e outras irregularidades. A investigação aponta que esses mecanismos existiriam apenas formalmente ou seriam insuficientes para impedir as práticas investigadas.
Com o andamento das investigações, o Banco Central decretou o fechamento do Banco Master e de várias instituições ligadas ao grupo. O proprietário Daniel Vorcaro foi preso na 1ª fase da operação, em novembro de 2025.
Agora, o caso deixou de ser apenas uma apuração sobre fraudes bancárias e passou a envolver suspeitas de corrupção de agentes públicos, influência sobre integrantes do sistema financeiro, lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial, intimidação de críticos e até obtenção ilegal de dados.
Minas Gerais é um ponto chave da operação
O núcleo mineiro da operação chama atenção porque boa parte da rede de relações do Banco Master passa por Belo Horizonte, incluindo empresários, familiares de Vorcaro e pessoas ligadas a operações financeiras e estruturas de influência investigadas pela PF. A 6ª fase da operação, iniciada no último dia 14 de maio, cumpriu mandados justamente em MG, SP e RJ, com autorização do STF.
Quem são os mineiros presos na operação até o momento?
Principal alvo da investigação e dono do Banco Master. É de família mineira e tem forte ligação com Belo Horizonte e o mercado financeiro em Minas. Foi acusado de liderar um esquema investigado por fraude financeira, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa.
Foi preso pela primeira vez em novembro de 2025 e solto pouco tempo depois, com a condição de fazer o uso da tornozeleira eletrônica e se apresentar periodicamente à Justiça.
O banqueiro foi preso novamente em 4 de março de 2026. Desta vez, por ordem do ministro do STF André Mendonça, que alegou “risco concreto de interferência nas investigações”.
Pai de Daniel Vorcaro, preso na 6ª fase da operação, deflagrada em 14 de maio. A prisão ocorreu em Minas Gerais. Segundo a PF, a nova fase investiga intimidação, coerção, obtenção de dados sigilosos e invasões de dispositivos informáticos ligados ao núcleo investigado.
Primo de Daniel Vorcaro, foi preso na 5ª fase da operação, em Minas Gerais. A PF aponta que ele teria participação em movimentações financeiras investigadas e na gestão de pagamentos ligados ao esquema apurado.
O empresário e pastor da igreja Lagoinha em Belo Horizonte foi preso preventivamente na 3ª fase da operação. A PF o investiga como parte do núcleo de apoio ao esquema, incluindo suspeitas relacionadas a pagamentos e intimidação. É cunhado de Daniel Vorcaro, e o sexto maior doador das Eleições de 2022 e o maior doador pessoa física da campanha para governador de São Paulo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Preso em Belo Horizonte durante a 3ª fase. Segundo a PF, atuaria no núcleo de intimidação da organização investigada. Segundo a polícia, ele morreu após tentar suicídio enquanto estava sob custódia da Polícia Federal na capital mineira. “Sicário”, como era conhecido, tinha passagens na polícia por crimes como estelionato, receptação, uso de documento falso e ameaça.
Policial Federal aposentado, também foi preso na 3ª fase da operação, apontado como responsável por monitoramentos ilegais e obtenção de informações dentro do esquema investigado.
Dark Horse e o envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro
Recentemente, o The Intercept Brasil revelou gravações em que o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro, e justifica o pedido como financiamento para a cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o filme Dark Horse.
Flávio admitiu a veracidade dos áudios e o teor da conversa vazada, mas negou ter cometido qualquer irregularidade. Segundo o The Intercept Brasil, o banqueiro teria acordado destinar R$134 milhões à produção, dos quais ao menos R$61 milhões foram efetivamente liberados.
Além disso, o senador afirmou hoje (19), em coletiva de imprensa, que visitou Vorcaro logo após o banqueiro ser preso pela primeira vez.
O que acontece agora?
A operação já chegou à sexta fase e segue em expansão. Até agora, dezenas de mandados foram cumpridos, mais de 20 pessoas foram presas e bilhões de reais em bens acabaram bloqueados pela Justiça.
Ainda não temos todas as informações e não sabemos a extensão total desse esquema. A pergunta que fica é: até onde essa rede de envolvidos vai? Qual a verdadeira ligação de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro?
Tags: