Falta de patrocínio leva ao cancelamento da Semana de Cinema Negro de BH em 2026
Festival estava previsto para outubro, mas não conseguiu captar recursos para realizar a programação deste ano.

Redação
Institucional

Semana do Cinema Negro em BH tem edição cancelada em 2026. Foto: Divulgação
A Semana de Cinema Negro de Belo Horizonte não terá edição em 2026. Foi o que anunciou a equipe do festival, que estava previsto para outubro, mas foi foi cancelado após a organização não conseguir levantar verba para custear a programação deste ano.
Segundo a direção do festival, o projeto havia sido aprovado em mecanismos de incentivo à cultura, mas isso não garantiu que o dinheiro chegasse. A equipe passou meses negociando com empresas em busca de patrocínio, sem conseguir fechar a captação a tempo.
Segundo a idealizadora do projeto, a cineasta e produtora Layla Braz, a falta de recursos colocou em pausa um festival que, em cinco edições, ganhou espaço no calendário cultural de Belo Horizonte.
“A interrupção acontece depois de cinco edições que consolidaram a Semana de Cinema Negro no calendário cultural de Belo Horizonte e no circuito do cinema negro brasileiro e internacional. Ao longo desse período, o festival se tornou um espaço de circulação de filmes e profissionais, formação, encontros e debates sobre o cinema brasileiro, aproximando realizadores, pesquisadores, estudantes, críticos e público”, explicou.
Ainda segundo a organização, dentro da programação do festival, foram abertas inscrições para a mostra Cine Escrituras Pretas, uma das principais ações da Semana do Cinema Negro, uma atividade voltada à exibição de obras de realizadores negros brasileiros.
Com a abertura, cerca de 300 inscrições foram recebidas, no entanto, o trabalho da curadoria sequer chegou a começar. Sem os recursos necessários para a realização do evento, a organização precisou interromper o processo.
A situação também afetou outro projeto ligado à Semana. Em 2026, a 3ª edição da SemanaLab, iniciativa que reúne profissionais do audiovisual de Belo Horizonte e região metropolitana em uma semana de cursos e atividades com nomes de diferentes regiões do país, também não conseguiu recursos para ser realizada.

A Semana do Cinema negro foi criada em 2021, ainda durante a pandemia. Inicialmente, a programação era on-line, mas nas edições seguintes ocupou formato presencial em espaços como o Cine Humberto Mauro e o Cine Santa Tereza.
A programação foi além das sessões de filmes, com debates, oficinas, atividades para crianças e escolas, além de ações de acessibilidade e encontros ligados a outras manifestações da cultura negra. Em cinco edições, o festival exibiu quase 300 filmes e reuniu mais de 30 mil pessoas em atividades presenciais e virtuais.
A Semana tinha como proposta ampliar o acesso a essas produções e aproximar realizadores, pesquisadores, estudantes, críticos e público.
O audiovisual também movimenta uma cadeia econômica que envolve profissionais de diferentes áreas e gera empregos dentro e fora das produções. Em 2024, a indústria audiovisual brasileira sustentou 608.970 empregos e contribuiu com R$ 70,2 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB) do país, segundo estudo da Oxford Economics encomendado pela Motion Picture Association.
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