'Finanças de Minas Gerais estão em ruínas’, diz revista britânica ao analisar dívidas do estado
Reportagem aponta crise nas contas públicas e reforça peso decisivo do estado nas disputas presidenciais.

Redação
Institucional

Capa da reportagem da revista The Economist. Foto: Reprodução
As finanças de Minas Gerais estão “em ruínas” e o próximo governador vai ter que fazer cortes drásticos nos gastos públicos. Esse é o diagnóstico apresentado pela revista britânica The Economist em reportagem publicada na terça-feira (16).
Ao analisar o cenário político e econômico mineiro, a reportagem afirmou que o estado funciona como um “espelho” do Brasil e ajuda a entender os desafios que o país deve enfrentar nos próximos anos.
Na reportagem, a revista cita um marcador importante, de que Minas é o principal “campo de batalha” político do Brasil e peça decisiva em qualquer eleição presidencial.
Desde a redemocratização, nenhum candidato venceu a disputa nacional sem sair vitorioso no estado. Por isso, tanto lideranças da esquerda quanto da direita intensificam agendas e alianças em Minas, tentando garantir vantagem nesse território considerado estratégico.
A The Economist cita, ainda, a precariedade das rodovias mineiras, e trouxe a informação de que 13% dos acidentes de trânsito do Brasil acontecem no estado.
Ao mesmo tempo, destaca uma contradição: Minas é um dos principais polos de riqueza mineral do país, mas não consegue transformar esse potencial em desenvolvimento mais amplo.
De acordo com a publicação, Minas responde por cerca de 40% da produção mineral brasileira, com destaque para minério de ferro, estanho, grafite, lítio, terras raras e a maior parte do nióbio produzido no mundo.
“Em nenhum lugar os danos causados por essas restrições de finanças públicas são mais visíveis do que em Minas. Suas rodovias são uma bagunça; 13% dos acidentes de trânsito no Brasil ocorrem no estado. Produz 40% da produção mineral do Brasil, incluindo minério de ferro, estanho, grafite e a maior parte do nióbio do mundo [...]. No entanto, os economistas lamentam que Minas ainda exporte principalmente matérias-primas para o exterior, em vez de usá-las para fazer bens mais valiosos”, diz um trecho da reportagem da The Economist.
Ainda segundo a reportagem, o desafio maior é “estrutural”, e que para mudar esse cenário, Minas precisaria investir mais em educação, infraestrutura e pesquisa, além de estimular inovação e desenvolvimento.
“É uma loucura assumir essa bagunça. Quem assumir não terá margem de manobra”, afirmou João Gabriel Pio, economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), ouvido pela revista.
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