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    Funk, moda e cultura periférica: como as margens criam tendências

    O que o centro chama de moda, a periferia já transformava em vida muito antes.

    Nattany Martins

    Nattany Martins

    Colunista

    3 min11 de junho de 2026
    Funk, moda e cultura periférica: como as margens criam tendências

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    Segundo o relatório anual Loud & Clear, do Spotify, o funk brasileiro foi o gênero musical que mais cresceu no mundo em 2025, com avanço de 36%. Isso não é apenas um dado sobre o mercado musical.

    Quando a periferia antecipa a tendência

    Pense na cidade como um palco invertido: o holofote aponta para o centro, mas a criação vem dos bastidores, dos corredores laterais e dos espaços onde ninguém imaginava que haveria invenção. Essa inversão ajuda a entender por que tantas linguagens populares são primeiro desprezadas e só depois celebradas.

    Você já viu algo de que gostava muito ser considerado “coisa de pobre” e, depois, virar moda em outros espaços?

    Não é incomum que isso aconteça com expressões da cultura periférica: roupas, unhas, vocabulário, cortes de cabelo… Um dia, alguém tem vergonha de usar chinelo Kenner; no outro, a marca se consolida como item de desejo de consumo.

    Isso acontece com praticamente tudo. O que faz algo virar moda não é apenas sua aparência, mas a aderência que ele cria com o público — e, mais do que isso, a forma como as pessoas se relacionam com quem são ao usá-lo.

    As periferias vivem mais cedo as tensões da cidade: falta de acesso, mistura de repertórios, urgência de sobrevivência. Isso obriga as pessoas a criarem soluções, linguagens e estéticas próprias.

    Território, linguagem e pertencimento

    Nas grandes metrópoles, a cultura não nasce apenas onde há dinheiro, prestígio e visibilidade. Ela nasce também onde há escassez, conflito e invenção — nas margens, onde a necessidade vira linguagem, estilo e movimento.

    Em Recife, há a cultura dos Ratos; no Rio, os Crias; em São Paulo, os Mandrakes viraram emblemas de estilo e território. Na capital mineira, a identidade periférica se expressa com os Maladeza.

    Belo Horizonte parece funcionar por territórios e redes: Barreiro, Norte, Venda Nova, Aglomerado da Serra, Cabana, Taquaril, entre outros, com coletivos organizando o repertório cultural. Essa é a cultura de rua: a produção cultural periférica como forma de resistência e direito à cidade.

    A invenção cultural continua acontecendo nas bordas, onde a vida é mais urgente, a linguagem é mais inventiva e a estética nasce antes do reconhecimento.

    Do mesmo modo, as projeções econômicas que recolocam o Brasil no debate sobre relevância global ajudam a lembrar que a potência de um país não se mede só pelo centro político ou financeiro, mas também pela capacidade de suas margens produzirem formas de expressão capazes de atravessar fronteiras.

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    Sobre o autor

    Nattany Martins

    Nattany Martins

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    Jornalista e produtora multimídia. Suas pautas transitam entre comportamento e política cultural, com foco especial na cena latina. Cobre música com o ouvido de quem cresceu entre o rádio FM e a internet discada.

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    Jornalismo independente, acessível e comprometido com a verdade.

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