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    Greve na educação em BH: parece que Damião está dormindo tranquilo

    Educadores passam a intensificar as mobilizações fora das salas de aula, com atividades nas ruas e nas comunidades

    Alícia Lanna

    Alícia Lanna

    Jornalista

    4 min28 de abril de 2026
    Greve na educação em BH: parece que Damião está dormindo tranquilo

    Foto: Reprodução/Sind-REDE BH

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    A rede municipal de Belo Horizonte segue em greve. A decisão foi tomada em assembleia no último dia 16, pelo Sindicato dos trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-REDE BH), e mantida após assembleia realizada pelos trabalhadores da educação ontem (27). A paralisação, aprovada por ampla maioria, denuncia o que a categoria vem chamando de um verdadeiro “apagão na educação”, marcado por falta de professores, sobrecarga de trabalho e precarização das condições nas escolas.

    Na prática, o que os trabalhadores relatam é um sistema funcionando no limite. Entre os principais problemas relatados estão turmas sem docentes, funcionamento improvisado e a ampliação de vínculos mais frágeis, como contratação via organizações sociais.

    Essa crise não começou agora. Há meses, profissionais apontam o acúmulo de funções, a dificuldade de manter o básico funcionando e a ausência de reposição adequada de pessoal. Enquanto isso, estudantes ficam sem aula, famílias perdem suporte e profissionais acumulam desgaste em um sistema que opera no improviso.

    Em nota, o Sind-REDE BH explicou os problemas principais enfrentados pela categoria: o reajuste limitado à inflação, abaixo do piso, insuficiência generalizada de docentes, negociações travadas e avanço de medidas que apontam para a terceirização do atendimento especializado e desmonte da educação pública.

    “A mobilização vai além do salário: é contra um projeto que compromete a qualidade da educação, penaliza escolas mais vulneráveis e impõe cortes enquanto crescem os recursos do município.”

    Leia a nota na íntegra:

    O que o prefeito diz sobre a greve?

    “Não podemos ficar parando a cidade, já está chato". Essa foi a declaração de Damião em coletiva de imprensa hoje (28/04). A resposta do prefeito não surpreende: no último dia 17, no início da greve, ele já tinha afirmado que a gestão cumpre acordos e que as atividades seguem em andamento. O prefeito também disse que há diálogo em andamento com a categoria da educação e questionou as motivações da greve.

    No entanto, a distância entre o que é apresentado pela gestão e o que é vivenciado no cotidiano das escolas se tornou o centro do conflito. Garantir reajustes formais não resolve a ausência de profissionais em sala, nem a sobrecarga que recai sobre quem permanece na rede, e são essas e outras reivindicações que sua gestão tem se negado a reconhecer.

    A condução da crise tem sido marcada mais pela tentativa de contenção e até negação do problema do que pela apresentação de soluções estruturais. Ao minimizar a gravidade da situação e apostar na continuidade do funcionamento, ainda que precário, a gestão indica uma escolha política. Mantêm-se compromissos fiscais e administrativos enquanto o serviço público é pressionado até o colapso.

    Resposta na Câmara Municipal

    A situação não passou despercebida na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Segundo informações do Brasil de Fato, a vereadora Iza Lourença (PSOL) entrou com o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o cenário da educação nas escolas municipais.

    “A Educação de BH está em greve e a situação é muito grave. A cidade corre o risco real de viver um apagão e a atual gestão se recusa a abrir uma canal de diálogo. Trabalhadoras e trabalhadores da Educação, e toda a comunidade escolar: podem contar comigo. E antes que surjam as perguntas: sim, minha filha estuda na rede municipal de educação” disse a vereadora em suas redes sociais

    O requerimento também conta com as assinaturas das vereadoras Juhlia Santos (PSOL), Luiza Dulci (PT) e Pedro Patrus (PT). Para que a CPI avance, são necessárias 14 assinaturas entre os 41 vereadores da Casa. Após o anúncio do pedido, movimentos da educação lançaram um abaixo-assinado para pressionar pela abertura da CPI.

    Quais são os próximos passos da categoria?

    Os servidores e servidoras da educação continuam mobilizados, e seguem agenda contínua de atos e mobilizações:

    Calendário de Greve

    • 28/04 (terça-feira)

    8h e 14h: Regionais de greve 17h30: Comando de greve no Sind-REDE, com preparação e mobilização junto às escolas

    • 29/04 (quarta-feira)

    14h: Manifestação na porta da SMED, com reivindicação de negociação imediata e denúncia de contratações irregulares, falta de transparência e ausência de recursos nas escolas

    • 30/04 (quinta-feira)

    8h e 14h: Regionais de greve

    • 01/05 (sexta-feira)

    9h: Participação no ato unificado do Dia do Trabalhador, na Praça Raul Soares

    • 02 e 03/05 (sábado e domingo)

    Mobilizações com carros de som e panfletagens nas comunidades e regionais

    • 04/05 (segunda-feira)

    13h: Ato e mutirão na Câmara Municipal de Belo Horizonte para coleta de assinaturas em defesa da CPI da Educação

    • 05/05 (terça-feira) – PRÓXIMA ASSEMBLEIA DECISIVA

    14h: Assembleia de Greve dos Trabalhadores em Educação Concursados Local: Praça da Estação – Centro

    *Dados Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de BH

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    políticaeducaçãogreveprefeituraBH

    Sobre o autor

    Alícia Lanna

    Alícia Lanna

    Jornalista

    Jornalista pela UFMG e assessora de comunicação, atua na interseção entre comunicação política, direitos humanos e cultura. Experiência com povos e comunidades tradicionais, movimentos sociais e comunicação popular.

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