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    Herdeiro e com patrimônio de R$ 130 milhões, Zema defende o trabalho infantil

    A declaração foi feita no último dia 1° de maio, Dia do Trabalhador

    Redação

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    Institucional

    3 min12 de maio de 2026
    Herdeiro e com patrimônio de R$ 130 milhões, Zema defende o trabalho infantil

    Foto: Ministério do Trabalho/Divulgação

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    No Dia do Trabalhador (01/04), o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, voltou a gerar repercussão nas redes sociais após fala em defesa do trabalho infantil no Brasil:

    “Hoje é dia do trabalho e aqui no Brasil parece que a esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança.” afirmou o ex-governador.

    Em seguida, disse que pretende mudar essa situação caso seja eleito à Presidência. A declaração de Zema foi feita ao podcast "Inteligência Ltda", transmitido ao vivo, e reacendeu o debate sobre trabalho infantil no país e no estado, já que contraria diretamente o que estabelece a legislação brasileira.

    Diferente do que sugeriu o ex-governador, a restrição ao trabalho infantil não é uma construção ideológica recente, mas um princípio garantido pela Constituição Federal de 1988. O texto constitucional proíbe o trabalho antes dos 16 anos, permitindo apenas a partir dos 14 na condição de aprendiz. Além disso, veda atividades noturnas, perigosas ou insalubres para menores de 18 anos e estabelece como prioridade absoluta a proteção integral de crianças e adolescentes, incluindo acesso à educação, saúde e lazer.

    Trabalho infantil em Minas Gerais

    O tema ganha ainda mais relevância quando confrontado com dados do próprio estado. A situação do trabalho infantil em Minas Gerais segue alarmante e coloca o estado no centro do problema no país. Dados de 2023 divulgados pelo IBGE apontam que mais de 213 mil crianças e adolescentes de 5 a 17 anos estão em situação de trabalho infantil. Um dos aspectos mais críticos é que quase 40% desses jovens estão em atividades perigosas ou insalubres, consideradas entre as piores formas de trabalho infantil.

    O problema é ainda mais intenso em regiões como o Norte de Minas, onde os índices são proporcionalmente mais altos. Mesmo com alguma redução nos últimos anos, o volume de casos revela um cenário estrutural, diretamente ligado à desigualdade social, à pobreza e à falta de acesso pleno a direitos básicos como educação e proteção integral.

    O recado do ex-governador e candidato à presidência

    A fala de Romeu Zema, feita em uma data historicamente marcada pela luta por direitos trabalhistas, explicita uma visão que minimiza problemas estruturais enfrentados pela população. Ao relativizar o impacto do trabalho infantil, o posicionamento ignora evidências e desconsidera a realidade de milhares de famílias que já lidam com jornadas exaustivas, renda insuficiente e acesso limitado a direitos básicos.

    Em um contexto em que adultos trabalham cada vez mais para garantir o mínimo, defender a antecipação do trabalho na infância não aponta para solução, mas para a naturalização da desigualdade.

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