Instituto de BH avança em prêmio nacional por trabalho de resgate da memória negra
Instituto Alforriado Matias conquista vaga em premiação nacional do Iphan.

Redação
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Instituto Alforriado Matias conquista vaga em premiação nacional do Iphan. Foto: Divulgação/Senegambia
O Instituto Alforriado Matias está na etapa estadual do 39ª Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A premiação é uma das mais importantes do país, e reconhece a preservação do patrimônio cultural brasileiro.
A classificação aconteceu após a estreia do projeto “Alforriado Matias: resgate e difusão da memória negra em Belo Horizonte por meio de pesquisa, arte e mobilização cultural”.
O trabalho busca reconstruir e divulgar a trajetória de Alforriado Matias, personagem ligado à história da região do Barreiro e à presença da população negra na formação do território.
O projeto começou em 2017. Desde então, o Instituto tem transformado registros dispersos e relatos da tradição oral em pesquisas, ações educativas, produções artísticas e atividades de mobilização comunitária.
Entre os resultados está a criação do MABAM Festival (Mostra Afro Barreiro Alforriado Matias), além da produção do minidocumentário Alforriado Matias. Em 2023, a obra foi exibida no Memorial Minas Gerais Vale e recebeu mais de 11 mil visitantes.
O resgate da memória de Alforriado Matias também inspirou outras produções culturais, como músicas, peças de teatro e intervenções artísticas urbanas.
Em 2022, Alforriado Matias recebeu Diploma de Honra ao Mérito póstumo concedido pela Câmara Municipal de Belo Horizonte. Atualmente, está em andamento a produção de uma escultura pública em sua homenagem, assinada pelo artista mineiro Jorge dos Anjos.
A próxima etapa do prêmio definirá as iniciativas que representarão cada estado na fase nacional da premiação.

Matias viveu no século XIX, no território onde hoje é localizada a região do Barreiro, em Belo Horizonte. Segundo o Instituto, Matias presenciou mais de sessenta anos um Brasil ainda estruturado pelo regime escravocrata.
No dia 30 de outubro de 1877, ele entrou em confronto com Cândido Brochado, proprietário da fazenda que estruturava economicamente a região. O confronto terminou com a morte de Brochado.
Após o ocorrido, a fazenda foi vendida e o processo de reorganização da área abriu caminho para transformações que contribuíram para a consolidação da região e, posteriormente, para a própria construção da capital mineira.
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