A mãe de um adolescente negro denunciou nas redes sociais a abordagem sofrida pelo filho por agentes da Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte, na Praça Sete, na Região Central da capital. O caso aconteceu na última terça-feira (15), quando o jovem saía do trabalho e seguia para a escola.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, a mãe, que se identifica como Nayara, relata que o adolescente foi imobilizado pelos agentes após ser acusado de ter furtado uma blusa de frio. Segundo ela, a peça pertencia ao próprio jovem e havia sido comprada pela família.
A mãe também mostra parte da ação, registrada pelo próprio adolescente. No vídeo, o jovem chega a dizer aos guardas que é trabalhador e que ‘não é vagabundo’. Mesmo após a afirmação, os agentes dão continuidade à abordagem.”
Durante o desabafo, Nayara afirma ainda que o filho teria sido chamado de “ladrão” e atingido com uma arma de choque durante a abordagem.
Mãe questiona se abordagem teve motivação racial
No relato, Nayara também levanta a possibilidade de o fato de o filho ser negro ter influenciado a abordagem.
"Eu queria saber porque desse abuso de autoridade deram um choque no meu filho. Por quê? Porque é uma criança negra? Porque é um adolescente negro? Mas é um adolescente negro que trabalha, que estuda, não tem envolvimento com nada. A gente trabalha muito pra poder criar essas crianças bem, pra uma autoridade chegar e fazer dessa forma."
Família cobra posicionamento
No vídeo, Nayara afirma que tentou buscar esclarecimentos sobre o episódio e reclama da dificuldade de conseguir contato com a Guarda Municipal.
“Eu queria um posicionamento da Guarda Municipal para falar comigo. Por que foi feito isso? Qual o motivo?”, cobra a mãe ao longo da gravação.
Guarda diz que caso está sendo apurado
A Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte informou que o caso está sendo apurado pela Corregedoria da corporação.
Em nota, a Guarda afirmou que os agentes são treinados e orientados a atuar dentro da legalidade e em respeito aos protocolos operacionais vigentes.
A corporação acrescentou que as condutas dos agentes devem observar os princípios da legalidade, proporcionalidade e respeito ao cidadão e afirmou que há responsabilização em caso de eventual irregularidade.
A Guarda Municipal não detalhou o que motivou a abordagem, nem respondeu especificamente aos questionamentos sobre o uso da arma de choque e a acusação de furto relatados pela mãe.