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    Manual prático para conservadores curtirem o Carnaval de BH

    Entre projetos de lei, conservadorismo, glitter e resistência, a folia segue viva.

    Jô Andrade

    Jô Andrade

    Repórter

    5 min9 de fevereiro de 2026
    Manual prático para conservadores curtirem o Carnaval de BH

    Foto: Marcos Gomes

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    Não é de hoje que o Carnaval de Belo Horizonte enfrenta tentativas de controle, esvaziamento ou até impedimento por parte da ala conservadora, que se empenha muito em trabalhar na Câmara Municipal quanto a Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Uma das investidas mais recentes foi um projeto de lei que previa a obrigatoriedade de uma distância mínima de 200 metros entre desfiles de blocos de rua e templos religiosos. A proposta acabou retirada de pauta após conversa do prefeito de BH com vereadores da capital.

    Também no ano passado, quatro vereadores do Partido Liberal (PL) apresentaram um projeto que buscava proibir a presença de crianças e adolescentes em eventos culturais, carnavalescos e artísticos, além de paradas LGBT+, em Belo Horizonte.

    E já que essa tal “festa pagã” desperta tanto interesse em grupos de extrema direita, segue aqui um manual de boas práticas para conservadores que querem curtir o carnaval no sigilo, bem na miudinha. Mas fica o aviso: BH é um ovo. Se alguém do culto de domingo te encontrar no bloco, a responsabilidade é toda sua.

    Aceite o arco-íris

    Sabemos que te ensinaram a enxergar o arco-íris como um grande inimigo das famílias tradicionais, mas, para sobreviver ao carnaval, é preciso se ambientar às cores. E sim, são as cores da bandeira LGBT+, comunidade que também movimenta e eleva o nível da festa. Aceite o arco-íris, respeite as pessoas e contribua para que todo mundo esteja seguro. Pode ficar tranquilo: ninguém vai te doutrinar. Mas, se por acaso ver alguém aos beijos e sentir algo diferente… bem, temos uma notícia para te dar.

    Vista sua roupa curta e chamativa (fica tranquilo, não é pecado)

    Não se sinta desconfortável com aquele short que você sabe que vai ficar curto ou apertadíssimo, se se sentir bonito (a) com a peça, não hesite em usá-la. Você vai ver muita gente de biquíni, de saia curta, com poucas roupas e muito glitter, só entra na onda e se diverte. Mas lembra que roupa curta não é convite, ok? E se você, mulher conservadora, se sentir acuada por algum homem por causa da roupa que está usando, é só acionar as feministas que você tanto critica. Elas vão te ajudar de pronto, porque feminismo não tem partido, e ele vai te defender quando mais precisar.

    Bons costumes só em casa

    Sem caretice de valores da família, o valor moral é você cuidar e proteger as pessoas à sua volta. Então nada de moralismo nas ruas, ein? As pessoas vão se vestir, se maquiar e ir para o bloco do jeito que se sentem bem e não merecem ser diminuídas por serem do jeito que são. Então guarde segura a onda nas críticas de moralidade e aproveite a festa, guarde o discurso conservador para quando voltar para sua rotina.

    Nem todo mundo vai te querer — então não força a barra

    É comum que as pessoas se desprendam daquela amarra ideológica que faz acreditar que tudo está errado, saiam por aí sedentas, mas vamos com calma, talvez você fique muito afim de alguém e essa pessoa não te queira de volta. É uma barra. Chatão. Sabemos disso, mas nada de forçar beijo, toque ou qualquer outro tipo de relação com quem não tá interessado. Fique tranquilo que o carnaval de BH promete mais de 6 milhões de pessoas, e alguma delas vai te querer. Tenha fé.

    Bloco não é culto

    Bloco de carnaval é brilho, gente suada, sorridente, falante e dançante. É um pouco diferente do culto, mas tem hinos icônicos para você ouvir também. Chegou no bloco e viu tocar Rajadão da Pabllo Vittar? Se joga! Não fique esperando alguém te chamar para acordar num sábado às 4h para ir no Então, Brilha! Seja você essa pessoa, acorde cedinho, vista sua roupa mais chamativa, peça seu latão de cerveja com o ambulante mais próximo e vá ser feliz ao som da Banda Eva, Ivete, Marina Sena…

    Viu alguém dando PT? Faça o que Jesus faria: ajude

    Se alguma querida ou algum querido dar PT (Perda Total) depois de horas de bebida debaixo do sol quentíssimo, faça o possível para ajudar, seja oferecendo uma água, procurando algum amigo que estava com essa pessoa ou até mesmo acionando o Samu. Vale tudo, menos deixar a pessoa sozinha, tá bem? Principalmente se for uma mulher. Sabemos que a festa é divertida, é do povo, mas pode ter gente mal intencionada no meio, então proteja quem está do seu lado, mesmo sem conhecer. E não somos só nós quem estamos falando, foi o próprio Jesus.

    Seja amigo e divida o latão

    Carnaval também é uma partilha, comprou aquele latão e sabe que não vai dar conta sozinho? Divide com aquele seu amigo liso que tá te acompanhando no bloco. Isso vale para qualquer bebida, inclusive água. Assim, você fortalece a amizade e ainda corre menos risco de queimar a largada e esquecer como foi o cortejo do bloco por causa da bebedeira.

    Então aproveita os quatro dias de festa, beba água, passe protetor solar, glitter e deixa a cidade ser feliz. Só não vale se arrepender depois. Aproveite porque já já acaba!

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    Sobre o autor

    Jô Andrade

    Jô Andrade

    Repórter

    Jornalista especialista em textos pela UFMG, com passagens pelos veículos g1, BHAZ e Sou BH. Experiência em jornalismo digital, reportagem e edição de conteúdo.

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