Medo de pandemia faz buscas por hantavírus dispararem; especialista afasta risco de nova Covid
Após morte confirmada em MG, especialistas explicam por que hantavirose não representa risco de nova pandemia.

Jô Andrade
Repórter

Minas Gerais registrou uma morte por hantavírus no Estado. Foto: Isabela Ferreira/Funed
Depois que a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MG) confirmou uma morte por hantavirose no estado, o que foi confirmado como “caso isolado”, a população de Minas Gerais passou a olhar com mais medo uma possibilidade de contágio da doença.
As palavras “pandemia” e “hantavírus” foram as mais buscadas no Google nos últimos sete dias, segundo o Google Trends. O medo de uma pandemia recente que custou a vida de milhares de brasileiros aterroriza, mas há uma grande variação entre os perfis das doenças.
O médico infectologista e atual presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Adelino Melo, explicou que não há motivos para alarmismos. A hantavirose é uma doença rara, apesar de sua gravidade.
“O principal risco é que, quando evolui para a forma cardiopulmonar, pode piorar rapidamente e exigir internação em UTI. Portanto, não é uma doença de grande transmissão comunitária como Covid-19 ou influenza, mas deve preocupar quando há exposição a ambientes com roedores silvestres, poeira contaminada por urina, fezes ou saliva desses animais e sintomas compatíveis”, explicou.
Ainda segundo o especialista, os casos de contágio não são comuns em grandes cidades, e os tipos de vírus comuns no Brasil circulam, principalmente, entre espécies de roedores silvestres. Nesses casos, a transmissão pode ocorrer se houver contato com ambientes contaminados por roedores infectados.
“A mensagem principal é: atenção, mas sem pânico. O hantavírus não se comporta como a Covid-19. Na maior parte das situações, a transmissão ocorre a partir do contato com ambientes contaminados por roedores, e não por transmissão respiratória ampla entre pessoas. Existe uma exceção importante: o vírus Andes, que é um tipo de Hantavírus endêmico na Argentina, e causador do surto recente no navio de bandeira holandesa. A hantavirose é rara, mas pode ser grave. A melhor proteção é evitar contato com roedores e limpar corretamente ambientes de risco”, afirmou o Adelino.
De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), levantados pelo governo federal, Minas teve seis casos confirmados da doença em 2025, com quatro óbitos. Já em 2024, foram oito casos confirmados, com também quatro óbitos.
A vítima da hantavirose deste ano em Minas era um homem de 46 anos, morador de Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba. O caso foi notificado em fevereiro e teve o diagnóstico confirmado pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) no mesmo mês. Segundo a Secretaria de Saúde, o homem tinha histórico de contato com roedores silvestres em área de lavoura e foi um caso isolado, sem relação com outros registros da doença.
A hantavirose é uma zoonose viral aguda e infecciosa, que no Brasil leva o nome de Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus. A transmissão para humanos acontece, na maioria das vezes, quando a pessoa respira partículas da urina, fezes ou saliva de ratos silvestres infectados.
As infecções acontecem principalmente em áreas rurais, geralmente ligadas ao trabalho no campo e ao contato com locais infestados por ratos silvestres. Os primeiros sintomas incluem febre, dores no corpo, dor de cabeça, dor nas costas e dor abdominal.
Nos casos mais graves, a doença pode causar falta de ar, tosse seca, coração acelerado e queda da pressão arterial. Não existe um tratamento específico para a doença, e o atendimento médico é feito para aliviar os sintomas e dar suporte ao paciente.
Em nota, a SES-MG reforçou a importância da prevenção contra o hantavírus, principalmente em áreas rurais, e afirmou que é importante ventilar o ambiente antes de entrar em locais fechados, como paióis, galpões, armazéns e depósitos. Antes de limpar esses locais, a recomendação é molhar o chão com água e sabão e evitar varrer a seco, para impedir que partículas contaminadas se espalhem pelo ar.
“Entre as principais orientações estão manter alimentos armazenados em recipientes fechados e protegidos de roedores; dar destino adequado ao lixo e entulhos; manter terrenos limpos e roçados ao redor das residências; não deixar ração animal exposta; retirar diariamente restos de alimentos de animais domésticos; e evitar plantações muito próximas das casas, mantendo distância mínima de 40 metros”, disse.
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