Meio século em cena: Orquestra Sinfônica de Minas Gerais celebra aniversário com concerto especial em BH
Patrimônio Cultural do estado, a OSMG comemora cinco décadas de música clássica, ópera e balé nos palcos mineiros

Ramon Chaia
Jornalista

Foto: Divulgação
A Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG) chega aos 50 anos nesta quarta-feira (2) com uma trajetória ligada à história cultural do estado. Criada pela Lei Estadual nº 6.862, promulgada nesta mesma data, em 1976, a orquestra nasceu de uma antiga reivindicação do meio cultural mineiro por um conjunto profissional dedicado a grandes obras da música nacional e internacional.
A estreia aconteceu em 16 de setembro de 1977, sob a regência do maestro alemão Wolfgang Groth. Naquela noite, o público ouviu obras de Mozart, Villa-Lobos e Ravel.
Ao longo de cinco décadas, 16 maestros estiveram à frente da orquestra. O grupo participou de concertos, óperas, balés e grandes produções dentro e fora dos teatros, além de dividir o palco com artistas, grupos e regentes do Brasil e de outros países. A orquestra preserva e apresenta obras consagradas, abre espaço para compositores brasileiros, valoriza a produção musical de Minas Gerais e aproxima diferentes públicos da música sinfônica.
Entre os momentos marcantes dessa trajetória está a participação em apresentações com o Ballet Bolshoi, da Rússia, em 1986. Em 2013, a OSMG foi reconhecida oficialmente como Patrimônio Cultural de Minas Gerais.
Para a diretora artística da Fundação Clóvis Salgado, Cláudia Malta, o trabalho de uma orquestra pública vai além dos palcos.
“Comemorar os 50 anos é celebrar 50 anos de música, memória, educação, trabalho artístico e acesso à cultura. É reconhecer que uma orquestra pública não é um luxo: ela é parte da infraestrutura cultural de um estado”, ressalta.
Cláudia também compara a composição da OSMG à identidade mineira, formada pela união das diferenças.
“A própria OSMG pode ser vista como uma metáfora de Minas Gerais: diversa, plural e capaz de transformar diferenças em uma identidade comum.”
Para celebrar a data, a OSMG prepara um concerto especial, às 20h, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Sob a regência do maestro convidado Roberto Duarte, a apresentação reúne obras de Mozart, Villa-Lobos, João de Deus Castro Lobo e Ernani Aguiar.
“Para uma cidade ou um estado, contar com uma orquestra sinfônica já é um privilégio; mantê-la em plena atividade e com excelência por 50 anos é algo extraordinário”, afirma Roberto Duarte.
Parcialmente inspirado no concerto de estreia da OSMG, o espetáculo aproxima a tradição clássica europeia da produção musical brasileira e mineira, chegando também aos ritmos do carnaval, como samba, frevo, marcha-rancho e escola de samba.
Os ingressos custam entre R$ 15 e R$ 30 e podem ser comprados pelo Sympla, na bilheteria principal e nos totens de autoatendimento do Palácio das Artes.
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