Minas gasta quase o dobro para consertar estragos das chuvas do que para evitá-los, aponta TCE
Auditoria do TCE-MG revela que gastos com resposta e recuperação superam investimentos em prevenção.

Redação
Institucional

44% dos municípios mineiros não possuem agentes capacitados para atuar na prevenção de desastres. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Entre 2012 e 2025, o Governo de Minas e as prefeituras mineiras destinaram quase o dobro de recursos para lidar com as consequências dos desastres ambientais do que para tentar evitá-los.
Foram R$ 823 milhões empenhados em ações de resposta e recuperação, contra R$ 462 milhões em prevenção, segundo auditoria do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), divulgada em julho deste ano.
O levantamento também identificou falhas no monitoramento das chuvas, mapas de risco desatualizados e falta de profissionais capacitados para atuar na prevenção de desastres.
Segundo o relatório do TCE-MG, 44% dos municípios mineiros não possuem agentes capacitados para atuar na prevenção de desastres.
"Com poucos recursos para as ações preventivas, os mapas, que indicam áreas de risco, estão desatualizados e incompletos em todo o território estadual, indica o relatório. Além disso, não há estações suficientes para o monitoramento das condições meteorológicas e dos rios (hidrológicas) e as que existem estão mal distribuídas", diz estudo do Tribunal de Contas.

Só em 2025, Minas Gerais registrou 520 desastres provocados por condições climáticas extremas, sendo 216 relacionados a chuvas intensas. As ocorrências deixaram dezenas de mortos e feridos, além de famílias desabrigadas e desalojadas.
Minas também lidera o ranking nacional de municípios em situação de vulnerabilidade a desastres. De acordo com levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), 283 das 853 cidades mineiras, o equivalente a 33,17%, estão nessa condição.
Além das perdas humanas, os desastres provocados pelas chuvas também causam prejuízos bilionários à economia mineira. Um estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), citado na auditoria do TCEMG, estima que as chuvas causaram R$ 4,39 bilhões em prejuízos entre 2020 e 2023, com impacto negativo de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB) estadual.
A auditoria do TCEMG analisou a prevenção de desastres relacionados às chuvas extremas em Minas Gerais. O levantamento reuniu informações dos 853 municípios mineiros, consultou as 18 regionais da Defesa Civil e realizou visitas técnicas em 11 cidades.
Por nota, o Governo de Minas afirmou que mantém "ações de capacitação, prevenção e resposta a desastres, no âmbito de suas competências, em apoio aos municípios".
"O Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG) 2024-2027 prevê investimentos de R$ 3,5 bilhões por parte do Governo de Minas em ações de prevenção, preparação e resposta a desastres, incluindo medidas voltadas para o período chuvoso. O montante contempla iniciativas de diferentes órgãos e secretarias estaduais, com recursos previstos para execução ao longo dos quatro anos. O Governo de Minas permanece à disposição dos órgãos de fiscalização e controle para fornecer eventuais informações e dados necessários", afirmou o Governo de Minas.
Tags: