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    Minas tem 24 candidaturas quilombolas nas eleições de 2026; maioria disputa vaga na Assembleia

    Candidatas ouvidas pelo XôtiFalá apontam demandas como regularização de territórios, educação, agricultura familiar e combate ao racismo

    Ramon Chaia

    Ramon Chaia

    Jornalista

    5 min9 de outubro de 2026
    Minas tem 24 candidaturas quilombolas nas eleições de 2026; maioria disputa vaga na Assembleia

    Candidatas quilombolas disputam vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (Fotos: Leo Tafuri/Vê)

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    Minas Gerais tem 24 candidaturas quilombolas nas eleições de 2026, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Do total, 16 disputam uma vaga de deputada ou deputado estadual e oito concorrem à Câmara dos Deputados.

    Entre os candidatos, são 13 homens e 11 mulheres. As candidaturas estão distribuídas por 12 partidos: PODE (4), PSOL (3), PRD (3), PDT (2), PT (2), PL (2), Solidariedade (2), MDB (2), Democrata (1), Republicanos (1), PV (1) e UP (1).

    O TSE passou a registrar a autodeclaração quilombola dos candidatos nas eleições de 2026. Por isso, não é possível fazer uma comparação direta com as eleições de 2022, já que o sistema de registro de candidaturas não oferecia essa opção de identificação.

    Entre as candidaturas está a de Luciana Matias, do PSOL, que disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Professora da rede pública há 29 anos e liderança do Quilombo Família Mattias, em Belo Horizonte, ela afirma que a candidatura surgiu de sua trajetória na educação e na defesa dos direitos quilombolas.

    Professora Luciana Matias (PSOL), candidata a deputada estadual (Foto: Leo Tafuri)
    Professora Luciana Matias (PSOL), candidata a deputada estadual (Foto: Leo Tafuri)

    “Sou mulher negra quilombola, mãe e professora da rede pública há quase três décadas”, afirma Luciana. Segundo ela, sua proposta é levar para a Assembleia a experiência de quem vive os desafios da escola pública, das periferias e dos territórios tradicionais. A candidata também é formada em Educação Artística e Pedagogia e possui especializações nas áreas de Artes Visuais e Educação Empreendedora.

    Entre as principais pautas apresentadas estão a regularização fundiária de territórios quilombolas, proteção ambiental, enfrentamento ao racismo ambiental, educação escolar quilombola, saúde, cultura e políticas de proteção às mulheres e às juventudes negras.

    Luciana também afirma que pretende manter o contato com as comunidades por meio de plenárias territoriais, gabinete itinerante e outras formas permanentes de escuta, caso seja eleita.

    A candidata destaca ainda o caráter simbólico de uma eventual presença quilombola na Assembleia. Segundo ela, seria uma forma de romper uma ausência histórica e levar para o Legislativo estadual demandas relacionadas aos territórios e às comunidades tradicionais.

    “Quero levar para o centro do debate as pautas quilombolas, como a defesa dos territórios, a regularização fundiária e o enfrentamento do racismo institucional e ambiental”, afirma.

    Candidatura também vem do campo

    Maria Alves(PT), candidata a deputada estadual (Foto: Júlia Ruas Cangussú)
    Maria Alves(PT), candidata a deputada estadual (Foto: Júlia Ruas Cangussú)

    Outra candidata quilombola que disputa uma vaga na Assembleia é Maria Alves, do PT. Agricultora familiar, liderança sindical rural e moradora do Quilombo Santa Cruz, em Ouro Verde de Minas, no Vale do Mucuri, ela concorre pela terceira vez ao cargo.

    Formada em Serviço Social e atualmente cursando Direito, Maria construiu sua trajetória na defesa da agricultura familiar, dos territórios quilombolas, das mulheres e da juventude rural.

    Para ela, uma das principais motivações para disputar a eleição é ampliar a representatividade política das comunidades quilombolas e rurais.

    “Minha motivação vem da necessidade real de representatividade. Venho das lutas do campo, do movimento sindical e das comunidades rurais e quilombolas. Trazer políticas públicas para os nossos territórios é honrar a nossa história e a nossa tradição”, afirma.

    Entre as prioridades citadas estão a regularização fundiária e titulação dos territórios quilombolas, fortalecimento da agricultura familiar, incentivo à juventude rural e investimentos em saúde, educação e infraestrutura no interior do estado.

    Maria também aponta as dificuldades financeiras como um dos obstáculos enfrentados durante a campanha. Segundo ela, sua candidatura conta com a estrutura básica oferecida pelo partido, mas também depende da mobilização voluntária e do apoio das comunidades.

    Caso seja eleita, a candidata afirma que pretende manter um mandato com presença nos territórios, realizando escutas periódicas, acompanhando demandas locais e prestando contas das ações desenvolvidas na Assembleia.

    Eleitorado quilombola cresce em Minas

    O número de eleitores que se autodeclararam quilombolas aumentou em Minas Gerais.

    Segundo o TSE, o estado passou de 12.712 eleitores quilombolas em 2024 para 31.487 em 2026. O crescimento foi de 147,69%, um aumento de 18.775 eleitores.

    Minas teve o maior crescimento absoluto entre os estados no período. De acordo com o TSE, parte da alta está relacionada à atualização das autodeclarações no cadastro eleitoral.

    Mesmo com o crescimento, os eleitores quilombolas representam atualmente cerca de 0,19% do eleitorado mineiro, que soma mais de 16 milhões de pessoas.

    O aumento do número de eleitores que se identificam como quilombolas ocorre no mesmo ciclo eleitoral em que o TSE passou a disponibilizar a autodeclaração quilombola no registro das candidaturas, permitindo identificar pela primeira vez esse perfil entre os concorrentes.

    Onde estão as candidaturas

    As 24 candidaturas quilombolas registradas em Minas Gerais estão concentradas nas disputas para deputado estadual e deputado federal.

    Entre os nomes registrados pelo TSE estão Professora Adriana (MDB), Capitão Mendes (PODE), Denise Trindade (PSOL), Dr. Marco Antônio (PRD), Eder (PODE), Helena Nara (UP), Nanci Menezes (PT) e Valdir Santos (Solidariedade), que concorrem à Câmara dos Deputados.

    Para a Assembleia Legislativa, aparecem nomes como Danielle Teixeira (Democrata), Juhlia Santos (PSOL), Laerte Strada (PL), Lorene Alvez (MDB), Marcinho Mecânico (PDT), Maria Alves (PT), Nivaldo das Canoas (Solidariedade), Pedro Sousa (PV), Professora Luciana Matias (PSOL), Ricardo Pé no Chão (REPUBLICANOS), Rose Carvalho (PRD), Tiago Carteiro (PDT), Valeria Reis (PL), Wakter (PODE), Warley Pereira (PRD), e William do Mantiqueira (PODE).

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    Sobre o autor

    Ramon Chaia

    Ramon Chaia

    Jornalista

    Apaixonado por contar boas histórias, ouvir pessoas, trocar experiências e ser um agente de transformação na comunicação. Jornalista com trajetória na televisão e experiência em reportagem, apuração, produção e edição de conteúdo.

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