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    Mulheres do MST pressionam Samarco e garantem reflorestamento de 2 mil hectares

    Bloqueio de 24 horas na Estrada de Ferro Vitória-Minas pressionou a mineradora a inicar recuperação ambiental em assentamentos de reforma agrária

    Redação

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    3 min17 de março de 2026
    Mulheres do MST pressionam Samarco e garantem reflorestamento de 2 mil hectares

    Foto: Matheus Teixeira/Divulgação

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    Mulheres do Movimento Sem Terra (MST-MG) da cidade de Tumiritinga, na região do Vale do Rio Doce, Leste de Minas Gerais, conseguiram pressionar a mineradora Samarco a cumprir com o reflorestamento de 2 mil hectares de áreas prioritárias nos assentamentos de reforma agrária da região. Essas áreas rurais são destinadas pelo governo federal para famílias sem terra ou com pouca terra produzirem e viverem.

    O compromisso que a Samarco assumiu com o movimento ocorreu depois que mais de 700 mulheres bloquearam, por 24 horas, parte da Estrada de Ferro Vitória-Minas, o que levou a empresa a suspender as viagens de trem entre Belo Horizonte e Cariacica, no Espírito Santo. Vale lembrar que as viagens de trem são da mineradora Vale, uma das controladoras da Samarco.

    Após o rompimento da barragem de Fundão, em 2015, no município de Mariana, a Samarco foi condenada a executar ações de reflorestamento na região do Rio Doce, como forma de compensação pela maior catástrofe ambiental da história do Brasil.

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    De acordo com o MST, uma das ações de recuperação da Samarco inclui o reflorestamento de 5.700 hectares considerados prioritários em assentamentos de reforma agrária. Desse total, apenas dois mil foram garantidos após o movimento das mulheres Sem Terra. Ainda segundo o MST, a reparação ambiental nos assentamentos já deveria estar em andamento, o que não aconteceu.

    "A empresa foi condenada a fazer o reflorestamento de 40 mil hectares na qual ela ainda não cumpriu, e quem refloresta são os trabalhadores ribeirinhos, agricultores, comunidades tradicionais etc. Garantimos parte do reflorestamento nessa luta atingindo aquilo que eles mais prezam, o capital financeiro”, explicou a dirigente regional do MST no Vale do Rio Doce, Edilene Costa.

    A ocupação nos trilhos do trem fez parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra 2026, realizada entre os dias 8 e 12 de março, com o lema "Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar!".

    O rompimento da barragem da Samarco despejou 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração, matando 19 pessoas, apagando comunidades e destruindo grande parte da biodiversidade das cidades atingidas. Antes mesmo de se completar 10 anos da tragédia, a Justiça Federal absolveu os responsáveis e ninguém respondeu criminalmente pelo desastre.

    Por nota, a Samarco afirmou que mantém um contrato com o Centro de Formação Francisca Veras (CFFV), vinculado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), desde 2019, e que vem realizando atividades de restauração ambiental nos assentamentos.

    "A iniciativa integra as ações previstas nos acordos de reparação e contempla o plantio de árvores em áreas assentadas, podendo alcançar até 2.000 hectares de restauração florestal em áreas dos assentamentos”, disse a empresa, por nota.
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