“Não se trata de maquiar a cidade”, diz Duda Salabert ao criticar prioridades do prefeito de BH
Ao Xôtifalá, a deputada afirmou que Belo Horizonte enfrenta sucateamento da saúde enquanto problemas estruturais seguem sem solução.

Jô Andrade
Repórter

Duda Salabert (Psol) critica sucateamento da saúde pública em BH. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
A deputada federal Duda Salabert (Psol) criticou a condução da saúde pública em Belo Horizonte e afirmou que o sucateamento do (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) SAMU e a falta de repasses para hospitais que atendem pelo SUS revelam “descaso” da prefeitura com a população.
Em entrevista ao Xôtifalá, Duda Salabert disse que os cortes nas equipes do serviço de emergência colocam profissionais para atuar sozinhos em atendimentos complexos, o que caracteriza uma gestão “desumana” e que não prioriza o bem-estar dos trabalhadores.
As falas da parlamentar são sobre os recentes acontecimentos envolvendo as escolhas políticas do prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União). Há algumas semanas, Damião afirmou que os problemas da saúde pública da capital também deveriam ser resolvidos pelos governos estadual e federal. A declaração veio dias depois de a prefeitura reduzir equipes do Samu, deixando ambulâncias com apenas um técnico em enfermagem por plantão.
A crise na saúde municipal também inclui denúncias de falta de repasses a hospitais filantrópicos que atendem pelo SUS, situação que afetou até a compra de insumos e o pagamento de salários. Em meio às críticas ao sucateamento da saúde, a prefeitura prorrogou os passeios turísticos da “Capivarã”, na Pampulha, ao custo de R$ 759 mil.
Duda também afirmou que a gestão municipal prefere priorizar obras de aparência enquanto serviços essenciais seguem em crise. Para ela, a prefeitura deveria concentrar esforços em saúde, transporte público, educação e limpeza urbana, buscando mais diálogo com os governos estadual e federal para garantir recursos e melhorar o atendimento à população.
O que está acontecendo com a saúde pública de BH? É projeto de governo ou falta de interesse político?
É absurdo o sucateamento que o SAMU vem sofrendo em BH. Com os novos cortes, a proposta é que o profissional fique sozinho nas equipes, assumindo atendimentos muitas vezes complexos. Isso é desumano e escancara o descaso da prefeitura com a saúde da população.
Sucatear serviços públicos é uma forma velada de favorecer planos de saúde e restringir acesso à saúde a quem pode pagar. Se há uma necessidade de corte da custos, que a estrutura de trabalho e o bem estar dos profissionais de saúde seja priorizados.
A saúde pública de BH já vinha amargando uma série de problemas, inclusive, houve falta de repasses para hospitais filantrópicos que atendem 100% pelo SUS que denunciaram falta de verba até para compra de insumos.
Como a deputada vê essa gestão da prefeitura com uma área tão importante para a população?
Como em qualquer gestão pública, quando falamos da área da saúde, estamos tratando do setor mais sensível. É por meio dela que cuidamos do bem mais importante de todo ser humano: a vida. Por isso, uma prefeitura, um governo ou mesmo a Presidência da República jamais podem deixar essa área em segundo plano.
É fundamental que haja planejamento, manejo adequado dos recursos e proposições constantes, incluindo reformas orçamentárias efetivas, para garantir que ninguém fique sem assistência. No entanto, o que temos visto em Belo Horizonte é preocupante, com relatos de falta de repasses a hospitais filantrópicos que atendem 100% pelo SUS, chegando ao ponto de faltar verba até para insumos básicos.
O caminho não é cortar o que já está deficitário. É preciso buscar recursos com o Governo Federal, ir atrás do Estado, de parcerias que priorizem a saúde em BH. O papel do prefeito é dialogar com todos os poderes para fazer a cidade funcionar. Não vemos isso acontecendo.
O que a administração pública ainda tem deixado de fazer para melhorar a vida da população de Belo Horizonte?
A prioridade da prefeitura deveria ser garantir o básico funcionando com qualidade para toda a população. Hoje, o que se vê é uma cidade desorganizada, suja e mal cuidada.
A coleta seletiva, por exemplo, ainda funciona de forma muito precária, enquanto investimentos mais visíveis se concentram em áreas nobres, com iniciativas que muitas vezes têm mais caráter estético do que estrutural. Em paralelo, a Máfia do Lixo lucra bilhões com o contrato de coleta e gestão dos aterros sanitários em BH.
Falta um olhar mais comprometido com o que realmente impacta a vida das pessoas. A população de Belo Horizonte precisa de um transporte público mais eficiente e com tarifas mais acessíveis, precisa de vagas nas escolas municipais para seus filhos e de acesso digno a serviços essenciais como saúde, saneamento e limpeza urbana.
Não se trata de maquiar a cidade, mas de enfrentar seus problemas reais. É isso que o belorizontino espera: uma gestão que priorize qualidade de vida, equidade e serviços públicos que funcionem de verdade.
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