Organizações LGBT pressionam por acesso gratuito a novo medicamento contra o HIV; entenda
Movimentos sociais pressionam por acesso amplo ao lenacapavir, uma das maiores inovações recentes no combate ao HIV.

Redação
Institucional
Movimentos sociais defendem gratuidade no medicamento contra HIV. Foto: Marcelo Camargo + Rovena Rosa/Agência Brasil
Cerca de 50 associações de proteção às pessoas LGBT+, lideradas pela Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), divulgaram um manifesto pedindo que o medicamento lenacapavir seja incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e chegue à população de forma gratuita.
O remédio é uma das maiores novidades dos últimos anos na prevenção do HIV, vírus que, se não tratado, pode ocasionar a doença AIDS.
De acordo com os movimentos, a preocupação é com o preço do medicamento. O lenacapavir já recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser usado como profilaxia pré-exposição (PrEP), estratégia que reduz o risco de infecção pelo HIV.
No entanto, o medicamento ainda aguarda a definição de valor pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Sem isso, não é possível saber se ele poderá ser incorporado à rede pública.
No manifesto, as entidades alertam que o preço alto vai dificultar o acesso justamente entre os grupos mais afetados pelo vírus HIV, como profissionais do sexo, homens gays, mulheres trans e travestis e tantos outros.
O medicamento é produzido pela gigante da indústria farmacêutica norte-americana Gilead Sciences.
Diferente de outros métodos de prevenção ao HIV, como a PrEP oral, que exige o uso diário de comprimidos, o lenacapavir é aplicado apenas duas vezes por ano. O novo tratamento utiliza uma injeção semestral, o que pode facilitar a adesão de quem tem dificuldade em manter a rotina de medicação.
Por causa do seu alto índice de eficiência no tratamento, a pressão por um acesso mais amplo ao medicamento não acontece apenas no Brasil. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) também lançou, nesta segunda-feira (22), uma campanha internacional cobrando que a farmacêutica amplie a disponibilidade do remédio e reduza as barreiras de acesso ao tratamento.
Assim como os movimentos LGBT+, o MSF cobra uma “quebra” do controle único da empresa sobre o medicamento, ou seja, que outros fabricantes também possam produzir versões do remédio para ajudar na redução dos preços.
As entidades reivindicam medidas urgentes da farmacêutica Gilead Sciences e do Ministério de Estado da Saúde do Brasil (MS). Entre os pedidos estão:
De acordo com a Anvisa, testes apontaram que o uso do medicamento em mulheres cisgênero teve 100% na redução da incidência do HIV. Em outro estudo, o medicamento apresentou desempenho superior ao da PrEP oral diária, além de registrar altos índices de adesão ao tratamento.
Em julho de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o lenacapavir como uma opção adicional de PrEP, classificando-o como a melhor alternativa disponível desde o desenvolvimento de uma vacina.
Agora, a expectativa está nas próximas etapas: a definição do preço do medicamento e a análise do Ministério da Saúde sobre uma possível oferta pelo SUS.
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