“Poderiam ter me matado”: Duda Salabert é agredida durante fiscalização de mineração em BH
Deputada e assessor foram agredidos após registrarem movimentação suspeita em área de extração de minério

Alícia Lanna
Jornalista

Foto: Reprodução/Cadu Passos
“Eu tinha convicção de que iam matar.”
Foi assim que a deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) descreveu, em coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira (4), o ataque que sofreu horas antes durante uma fiscalização de uma área de extração ilegal de minério na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Duda estava acompanhada do assessor Felipe Correia de Souza quando os dois foram agredidos nas proximidades da BR-356, perto da alça de acesso a Nova Lima e da região do BH Shopping. Segundo o boletim de ocorrência, fornecido à Itatiaia, eles registravam uma movimentação considerada suspeita em uma área conhecida por denúncias relacionadas à retirada irregular de minério quando foram abordados por dois homens.
Os dois tentaram fugir por um barranco, mas caíram e acabaram alcançados. Duda sofreu escoriações e luxação no ombro direito. Felipe levou chutes na cabeça e em outras partes do corpo. Os celulares foram tomados e arremessados para longe, numa tentativa de impedir que as vítimas pedissem ajuda, segundo o relato apresentado pela parlamentar.
Depois das agressões, os suspeitos fugiram. Duda e Felipe conseguiram chegar até uma instalação da Copasa, de onde pediram ajuda para acionar a polícia. Os aparelhos foram recuperados posteriormente por meio de rastreamento. A deputada foi encaminhada ao Hospital Mater Dei, em Nova Lima.
“Eles sabiam quem eu era”
Na coletiva realizada horas depois do ataque, Duda afirmou que os agressores a reconheceram durante a abordagem.
Segundo a deputada, um dos homens questionou sua insistência em investigar a atividade naquela região. Ela relatou ainda que teve os cabelos puxados e sofreu ameaças enquanto era agredida.
“Quando a gente vai desvencilhar deles e eles vão me chutando, para mim ficou muito claro que ele sabia quem eu era”, afirmou.
Duda classificou o caso como uma tentativa de homicídio e contestou o fato de o boletim de ocorrência da Polícia Militar ter sido registrado inicialmente como lesão corporal. A Polícia Civil, por sua vez, informou ao jornal O Tempo que instaurou procedimento para apurar os fatos e identificar os responsáveis, sem confirmar até agora essa tipificação.
Durante a coletiva, Duda apareceu com o ombro imobilizado e disse que o ataque evidencia o grau de organização de grupos envolvidos em atividades minerárias clandestinas.
Segundo ela, o local onde ocorreu a agressão contava com retroescavadeira, rádios comunicadores e uma estrutura de monitoramento. E tudo isso, segundo a parlamentar, a cerca de nove quilômetros do Centro de Belo Horizonte.
A assessoria da deputada publicou uma nota logo após a coletiva de imprensa.
Nas redes sociais, a deputada relatou a situação ao lado da vereadora Iza Lourença, que também participou da coletiva de imprensa. Confira o vídeo:
A proximidade com áreas densamente urbanizadas foi um dos pontos mais destacados por Duda durante a coletiva.
A deputada questionou como uma estrutura voltada à retirada supostamente irregular de minério poderia operar em uma região de circulação intensa, próxima a uma das principais rodovias da Grande BH e constantemente atravessada por viaturas e agentes públicos.
“É uma inércia do poder público, sim, em atuar e enfrentar de fato essa máfia da mineração em Minas Gerais”, declarou.
A fala traz para o centro do caso uma questão que vai além da violência sofrida pela parlamentar e pelo assessor: quem consegue retirar minério clandestinamente em uma das regiões mais valorizadas da Grande BH e operar sem ser interrompido?
A Polícia Civil informou que expediu guias para realização de exames periciais e que testemunhas seriam intimadas para ajudar a esclarecer o caso. Ainda não há informação oficial sobre quem eram os homens, quem operava a área fiscalizada ou se os responsáveis pelas agressões tinham relação direta com a atividade minerária registrada no local.
Com informações de Itatiaia e O Tempo.
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