Porquê não torço pela Argentina na Copa do Mundo
Uma reflexão sobre diáspora, identidade e a África Global que entra em campo por diferentes seleções.

Márcia Maria Cruz
Colunista

Foto: Reprodução/Internet
Acreditei no hexa, torci e sofri com a desclassificação da Seleção Brasileira. Com a saída precoce do Brasil, busquei outra seleção para qual torcer: Cabo Verde, Egito, depois França, Inglaterra e Espanha. Mas, desde o início do torneio, não torço para os hermanos.
A atriz Maria Ribeiro, em seu perfil no Instagram, confrontou-nos com um texto muito bem fundamentado, escrito pela Rafaela Degani, que aponta razões para a aversão à Argentina: inveja, a busca de um bode expiatório. Talvez.
O texto me fez compreender as razões por trás da minha torcida nesta Copa. Não torci por colônia e ex-colônia. Do mesmo modo que torci para Brasil, Cabo Verde, ex-colônias, torci para a França, Inglaterra e para a Espanha; países colonizadores. Ao fazer um exame sobre minhas escolhas, na verdade, torci para Mbappé, Olise, Dembelé; Jude Bellingham e Lamine Yamal como torci para Vini Jr, Endrick, Rayan e Luiz Henrique.
Yamal é espanhol com ascendência do Marrocos e de Guiné Equatorial. Mbappé francês de ascendência camaronesa e argelina. Dembelé é francês com ascendência do Senegal e do Mali. Olise é francês com pais nigerianos e franco-argelinos. Bellingham é inglês com mãe afro-jamaicana.
Os racistas atacam as nacionalidades que esses jogadores negros resolveram defender, porque não entendem a diáspora.
É a África Global, como diria Sheila Walker. África expandida para além do continente com a diáspora. Com a beleza dos dribles, jogadores com ascendência africana, mesmo que não pronunciadas como no caso dos jogadores brasileiros ou Bellingham com ascendência
afro-jamaicana, mostram a beleza da diáspora. E é essa herança que faz meu coração bater! E essa herança floresce em diferentes países.