“Precisamos focar nos problemas reais da cidade”, diz Marcela Trópia
Em entrevista, a parlamentar defende uma gestão pública mais eficiente, critica projetos sem impacto prático e aposta na inovação.

Jô Andrade
Repórter

Vereadora de Belo Horizonte Marcela Trópia (Novo). Foto: Divulgação/CMBH
Jovem, liberal e defensora da inovação na política, a vereadora Marcela Trópia (NOVO) foi eleita para seu primeiro mandato em Belo Horizonte em 2020. A proposta de renovação na forma de fazer gestão pública ganhou votos de pessoas de diferentes posicionamentos políticos, o que levou a vereadora a conquistar sua reeleição em 2024 com mais de 17 mil votos.
Nesta semana, o Xôtifalá publica uma série de reportagens com algumas das mulheres que fazem, ou já fizeram, parte da política institucional de Belo Horizonte e Minas Gerais.
Economista e servidora pública, Marcela Trópia tem seu mandato orientado pela defesa de uma gestão pública mais eficiente, com foco na transparência, no controle de gastos e na melhoria dos serviços que são oferecidos à população, que vão desde saúde e educação à proteção ambiental. Leia a seguir a entrevista ao Xôtifalá.
Qual projeto você mais se orgulha de ter criado para Belo Horizonte?
Um dos projetos de que mais me orgulho é o Marco Municipal das Startups de Belo Horizonte, que já está sancionado. Belo Horizonte tem um dos ecossistemas de inovação mais promissores do país, mas muitas vezes o poder público ainda funciona com regras pensadas para uma realidade antiga. O marco cria um ambiente mais simples e seguro para startups dialogarem com a prefeitura, testarem soluções e ajudarem a resolver problemas reais da cidade. É um divisor de águas porque aproxima inovação e gestão pública, permitindo que a tecnologia ajude a melhorar serviços e a qualidade de vida da população.
O que é ser mulher no parlamento? Como você enxerga as figuras femininas dentro da Casa? Se sente respeitada como mulher?
A presença feminina na política ainda é um desafio no Brasil. Tivemos avanços importantes, mas ainda existem espaços a serem ocupados e barreiras culturais a superar. É claro que o machismo ainda aparece em alguns momentos, como acontece em vários ambientes profissionais. Ao mesmo tempo, vejo cada vez mais mulheres qualificadas ocupando posições relevantes e contribuindo com debates importantes dentro da Câmara. Eu procuro sempre encarar esses desafios de forma propositiva, mostrando que a participação feminina fortalece a política e melhora a qualidade das decisões públicas.
Quais os maiores desafios hoje na Câmara Municipal?
Um dos maiores desafios hoje é justamente o ambiente de polarização política. Muitas vezes o debate se afasta dos problemas concretos da cidade e acaba preso a disputas ideológicas que não ajudam a resolver a vida das pessoas. Para quem quer trabalhar de forma propositiva, focando em soluções para áreas como educação, mobilidade e desenvolvimento econômico, esse cenário pode dificultar o avanço de pautas importantes. O grande desafio é manter o foco nas entregas e nas demandas reais da população.
A vereadora acredita que existam entraves dentro da Câmara com projetos inconstitucionais que acabam atrasando projetos realmente necessários para educação, saúde e moradia?
Infelizmente isso acontece. Muitos projetos acabam sendo apresentados, mesmo quando há dúvidas claras sobre sua constitucionalidade ou viabilidade prática. Isso toma tempo do Legislativo e atrasa a discussão de propostas que poderiam gerar impactos reais para a cidade.
Diante desse cenário, criamos a Frente Parlamentar Voz de BH, justamente como uma reação ao que consideramos uma escalada de projetos vazios, inconstitucionais e pouco conectados com os desafios reais da população.
A iniciativa busca devolver protagonismo ao Legislativo, com foco em pautas concretas como saúde, mobilidade e segurança. É uma forma de direcionar o debate para aquilo que realmente importa para Belo Horizonte.
Como ajudar a construir um futuro mais feminino nas casas legislativas do Brasil?
O primeiro passo é incentivar mais mulheres a participarem da política e entenderem que esse espaço também é delas. Quanto mais diversidade houver nos parlamentos, mais representativas e completas serão as decisões públicas. Também é importante valorizar lideranças femininas e criar um ambiente em que as mulheres possam se desenvolver na política com respeito e oportunidades iguais.
Quais pautas a vereadora mais defende atualmente, e quais outras vê que precisam de mais empenho da Câmara?
Tenho trabalhado muito em pautas ligadas à inovação, desburocratização e desenvolvimento econômico da cidade. Mas uma agenda que considero especialmente importante neste momento é a revitalização do Centro de Belo Horizonte.
Por isso apresentei, junto a outros vereadores, o projeto das Áreas de Revitalização Compartilhada, que busca incentivar investimentos privados na recuperação de regiões degradadas da cidade. O hipercentro tem um potencial enorme e precisa voltar a ser um espaço vibrante, com mais atividade econômica, segurança e qualidade urbana.
Como a vereadora tem trabalhado para dialogar com tantas opiniões polarizadas atualmente?
A melhor forma de lidar com a polarização é manter o foco nos problemas reais da cidade. Quando o debate se baseia em dados, resultados e necessidades concretas da população, fica mais fácil construir pontes e dialogar com diferentes visões. Eu procuro sempre atuar dessa forma, buscando soluções práticas que melhorem a vida das pessoas em Belo Horizonte.
Qual o maior sonho da vereadora para Belo Horizonte? E onde as mulheres se encaixam nisso?
Meu maior sonho é ver Belo Horizonte se consolidar como uma cidade inovadora, dinâmica e cheia de oportunidades, especialmente para os jovens. BH já tem um grande potencial na área de tecnologia e empreendedorismo, e pode se tornar uma referência nacional em inovação. Nesse futuro, as mulheres têm um papel fundamental, ocupando cada vez mais espaços de liderança na política, na economia e na sociedade.
Como é, na prática, a rotina de trabalho de uma vereadora dentro da Câmara Municipal e quais atividades ocupam a maior parte do tempo?
A rotina de um vereador é bastante intensa e envolve diferentes frentes de trabalho. Há a atuação legislativa, com análise de projetos, participação em comissões e votações no plenário.
Também existe um trabalho constante de diálogo com a população, recebendo demandas e acompanhando os problemas da cidade. Além disso, grande parte do tempo é dedicada à construção de propostas, reuniões com especialistas e articulações para viabilizar políticas públicas que possam trazer resultados concretos para Belo Horizonte.
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