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    Quando a cultura mata: por quê o Brasil ainda falha em proteger suas mulheres?

    Por quê ainda ensinamos meninas a se proteger, mas não ensinamos meninos a não matar?

    Márcia Maria Cruz

    Márcia Maria Cruz

    Colunista

    2 min2 de abril de 2026
    Quando a cultura mata: por quê o Brasil ainda falha em proteger suas mulheres?

    Violência contra a mulher não é caso isolado, é estrutural. Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

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    Não há um dia sequer que não somos confrontados por uma notícia de assassinato de mulheres de forma brutal pelas mãos de homens pelo simples fato de serem mulheres.

    No ano passado, o Brasil atingiu o número de 1.518 vítimas de feminicídios. Diante de recorde tão nefasto, nos perguntamos: as leis de proteção às mulheres são fundamentais, mas estão sendo eficazes?

    A resposta passa pela compreensão de que o feminicídio não começa com a agressão. Começa com a cultura de inferiorização e dominação das mulheres.

    Para combater o assassinato de mulheres é necessário construir o consenso na esfera pública sobre a urgência de políticas públicas que possam fazer com que os números de violência contra as mulheres e feminicídios recuem.

    Esperamos um debate público informado e racionalmente estruturado - como Habermas nos mostrou em sua teoria, mas nem sempre ocorre. Habermas faleceu, mas a utopia de uma esfera pública democrática segue como horizonte.

    Apesar da legislação vigente, as leis parecem brandas e insuficientes para por fim a essa epidemia.

    É preciso criminalizar a cultura do ódio às mulheres, é preciso combater no ambiente digital e no off-line células misóginas, e isso passa por responsabilização de quem produz e monetiza conteúdos misóginos.

    Também é necessário uma mudança cultural: passa pelo reconhecimento da mulher como detentora de direitos e sujeitos autônomas desde a infância. Algo que parece tão básico, mas não é, quando olhamos para a realidade das mulheres:

    • 1) diferença salarial;
    • 2) defesa de uma cultura de submissão;
    • 3) sub-representação no mercado de trabalho;
    • 4) sub-representação na política e nos espaços de poder e
    • 5) desconhecimento da produção feminina e por vezes o apagamento

    O debate público sobre a violência contra a mulher, no entanto, tem sido atravessado por controvérsias que desenham as políticas públicas mais ou menos diversas.

    A conceituação do que é ser mulher - e também do que é ser homem - está em disputa. Não cabe essencialização quando entendemos que ser mulher se ampara em experiências do corpo físico e do corpo social.

    Entender essas duas dimensões nos torna mais empáticos com as diferentes mulheridades. E que tal começarmos a ensinar meninas e meninas a respeitar de forma equivalente homens e mulheres como sujeitos autônomos e iguais em direitos e oportunidades?

    Sou Márcia Maria Cruz jornalista, escritora e colunista do Xotifalá e ocuparei esse espaço com algumas reflexões.

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    Sobre o autor

    Márcia Maria Cruz

    Márcia Maria Cruz

    Colunista

    Jornalista e doutora em Ciência Política. Autora dos livros “Morro do Papagaio”, “Maria Mazarello – preto no branco, lutas e livros" e “Vidas inteiras – Histórias dos 10 anos da Lei de Cotas. Semifinalista do Prêmio Jabuti e vencedora do Troféu Mulher Imprensa.

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