Quase meio bilhão de reais: quanto a Câmara de BH custou em 2025 e o que ela entregou
A Câmara Municipal de BH recebeu, em 2025, quase meio bilhão para que os vereadores trabalhassem pela população. O que foi feito?

Jô Andrade
Repórter
Quanto a Câmara de Vereadores de BH gasta em projetos de lei que não melhoram a vida da população? Foto: Reprodução/redes sociais
Sabe quanto do seu dinheiro é usado para manter 41 vereadores em Belo Horizonte? E quanto é gasto para que esses mesmos vereadores criem projetos de lei que não vão mudar nada na sua vida? Pois é. A Câmara Municipal de BH recebeu em 2025 o valor de R$ 492,3 milhões via Lei Orçamentária Anual (LOA). Inicialmente, o valor era de R$ 454.652.500, mas houve um suplemento de recurso que elevou o valor.
Deste valor, R$ 440.602.500 foram encaminhados para as atividades legislativas - que incluem o funcionamento da Câmara - , e o restante (R$ 14 milhões) foi destinado ao pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores inativos.
Com todo esse dinheiro, nossos parlamentares tiveram excelentes condições de trabalhar para melhorar a vida do cidadão de BH, certo? Porém, com uma câmara conservadora e pouco focada nos problemas reais das pessoas, os quase meio bilhão de reais não foram suficientes para que a população que os elegeu tivesse, no mínimo, um transporte público eficiente.
É importante lembrar que, só em 2025, os vereadores propuseram um amontoado de leis que consumiram dinheiro público, e que tiveram pouco, ou quase nenhum, impacto positivo na vida das pessoas.
A pergunta que fica é: em que esses projetos se somam no dia a dia do trabalhador? Pautar projetos para homenagear grupo empresarial ou artistas que nada têm a ver com BH é fazer política, de fato, ou criar uma história para ser contada em uma tentativa de viralizar nas redes sociais?
Não sabemos quem sai ganhando nessa disputa, mas sabemos quem perde. O povo.
O salário de um vereador em Belo Horizonte é de R$ 18.402, com auxílio-alimentação de R$ 2.374. Além disso, cada vereador tem direito a receber no início e no final de cada legislatura, o mesmo valor do subsídio mensal líquido (subtraída a parcela partidária), além do direito a receber, em dezembro, outro valor idêntico, na proporção de sua presença às reuniões do Plenário ocorridas ao longo do ano.
Cada gabinete pode contar com até 15 assessores parlamentares, além de uma vaga para o cargo de Chefe de Gabinete Parlamentar, uma vaga para o cargo de Atendente Parlamentar e mais uma para o cargo de Auxiliar Legislativo. Os parlamentares podem atuar com até 18 servidores comissionados.
Os salários dos assessores podem variar de R$ 1.294 (4 atribuições para 6 horas de trabalho) a R$ R$ 16.183 (25 atribuições para 8 horas diárias). Para contratação dos 15 assessores parlamentares, cada um dos 41 gabinetes parlamentares pode gastar até R$ 76.984 por mês.
Já o gabinete do presidente da Câmara pode funcionar com até 20 assessores, e o orçamento também é maior, com um teto de R$ 102.227 por mês.
Em uma conta simples, podemos entender que um projeto de lei envolve: gabinete (assessores e demais trabalhadores), jurídico da Câmara, comissões, sessões plenárias e tempo de vários vereadores.
Em 2025, a Câmara teve orçamento de R$440,6 milhões para atividades parlamentares, sendo que foram votados 149 projetos de lei (111 em plenário e 38 em comissão).
Conta direta (média simples), dividindo o orçamento pelos projetos: R$ 440.602.500 ÷ 149 = R$ 2,95 milhões por projeto de lei
*Esse valor de R$ 2,9 milhões é um custo médio diluído da máquina, não o custo direto de cada projeto.
Orçamento anual da Câmara Municipal de Belo Horizonte: R$ 440.602.500 Votações em plenário no ano: 134
Conta direta R$ 440.602.500 ÷ 134 = R$ 3.288.078
*Cada votação em plenário “carrega” um custo médio de cerca de R$ 3,3 milhões.
Claro que, nesses valores, estão incluídos apenas os gastos com o trabalho parlamentar de votar projetos, mas cada vereador pode dispor de outras atividades que também geram custos (viagens, visitas técnicas, reuniões etc).
Mas, para quem trabalha o mês todo e ainda tem que se virar para pagar todas as contas do mês, o mínimo que se espera é que o dinheiro pago em impostos retorne como melhoria de vida.
E essa melhoria está em chegar no posto de saúde ou UPA e ter médicos para te atender, sem precisar ficar horas esperando ser chamado, ou poder voltar do trabalho sem precisar se espremer no ônibus pagando uma passagem de valor justo.
Mas ainda dá para caber as necessidades do povo no orçamento, ou ainda vamos ter que pagar para manter uma máquina que só funciona para impulsionar carreira parlamentar?
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