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    Quase meio bilhão de reais: quanto a Câmara de BH custou em 2025 e o que ela entregou

    A Câmara Municipal de BH recebeu, em 2025, quase meio bilhão para que os vereadores trabalhassem pela população. O que foi feito?

    Jô Andrade

    Jô Andrade

    Repórter

    5 min3 de junho de 2026
    Quase meio bilhão de reais: quanto a Câmara de BH custou em 2025 e o que ela entregou

    Quanto a Câmara de Vereadores de BH gasta em projetos de lei que não melhoram a vida da população? Foto: Reprodução/redes sociais

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    Sabe quanto do seu dinheiro é usado para manter 41 vereadores em Belo Horizonte? E quanto é gasto para que esses mesmos vereadores criem projetos de lei que não vão mudar nada na sua vida? Pois é. A Câmara Municipal de BH recebeu em 2025 o valor de R$ 492,3 milhões via Lei Orçamentária Anual (LOA). Inicialmente, o valor era de R$ 454.652.500, mas houve um suplemento de recurso que elevou o valor.

    Deste valor, R$ 440.602.500 foram encaminhados para as atividades legislativas - que incluem o funcionamento da Câmara - , e o restante (R$ 14 milhões) foi destinado ao pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores inativos.

    Com todo esse dinheiro, nossos parlamentares tiveram excelentes condições de trabalhar para melhorar a vida do cidadão de BH, certo? Porém, com uma câmara conservadora e pouco focada nos problemas reais das pessoas, os quase meio bilhão de reais não foram suficientes para que a população que os elegeu tivesse, no mínimo, um transporte público eficiente.

    É importante lembrar que, só em 2025, os vereadores propuseram um amontoado de leis que consumiram dinheiro público, e que tiveram pouco, ou quase nenhum, impacto positivo na vida das pessoas.

    Alguns deles são:

    • o PL 445/2025, de Irlan Melo (PL), que cria o “Dia Municipal da Lei Magnitsky”, sem efeito direto na rotina da cidade;
    • o PL 575/2025, de Flávia Borja (Podemos), que apenas reconhece o evento “Vira Brasil – a Virada da Família Mineira” como de relevante interesse cultural;
    • o PL 6/2026, que muda o nome de uma rua do bairro periférico Nazaré para Preta Gil, do vereador Pedro Rousseff (PT);
    • o PL 633/2025, de Irlan Melo (PL), que cria um programa municipal de combate à chamada “cristofobia”, sem detalhar impactos concretos, do vereador Irlan Melo;
    • o projeto que virou lei (11.876/2025), que cria o Dia Municipal dos Legendários, uma organização que tem até CNPJ de empresa, e faz parte de um grupo religioso, proposta é do vereador Wanderley Porto (PRD);
    • e o Projeto de Lei - 430/2025, do Pablo Almeida (PL), que institui um programa de valorização a clubes de tiro esportivo.

    A pergunta que fica é: em que esses projetos se somam no dia a dia do trabalhador? Pautar projetos para homenagear grupo empresarial ou artistas que nada têm a ver com BH é fazer política, de fato, ou criar uma história para ser contada em uma tentativa de viralizar nas redes sociais?

    Não sabemos quem sai ganhando nessa disputa, mas sabemos quem perde. O povo.

    Quanto custa um vereador?

    O salário de um vereador em Belo Horizonte é de R$ 18.402, com auxílio-alimentação de R$ 2.374. Além disso, cada vereador tem direito a receber no início e no final de cada legislatura, o mesmo valor do subsídio mensal líquido (subtraída a parcela partidária), além do direito a receber, em dezembro, outro valor idêntico, na proporção de sua presença às reuniões do Plenário ocorridas ao longo do ano.

    Cada gabinete pode contar com até 15 assessores parlamentares, além de uma vaga para o cargo de Chefe de Gabinete Parlamentar, uma vaga para o cargo de Atendente Parlamentar e mais uma para o cargo de Auxiliar Legislativo. Os parlamentares podem atuar com até 18 servidores comissionados.

    Os salários dos assessores podem variar de R$ 1.294 (4 atribuições para 6 horas de trabalho) a R$ R$ 16.183 (25 atribuições para 8 horas diárias). Para contratação dos 15 assessores parlamentares, cada um dos 41 gabinetes parlamentares pode gastar até R$ 76.984 por mês.

    Já o gabinete do presidente da Câmara pode funcionar com até 20 assessores, e o orçamento também é maior, com um teto de R$ 102.227 por mês.

    Quanto custa, em tese, um projeto de lei?

    Em uma conta simples, podemos entender que um projeto de lei envolve: gabinete (assessores e demais trabalhadores), jurídico da Câmara, comissões, sessões plenárias e tempo de vários vereadores.

    Em 2025, a Câmara teve orçamento de R$440,6 milhões para atividades parlamentares, sendo que foram votados 149 projetos de lei (111 em plenário e 38 em comissão).

    Conta direta (média simples), dividindo o orçamento pelos projetos: R$ 440.602.500 ÷ 149 = R$ 2,95 milhões por projeto de lei

    *Esse valor de R$ 2,9 milhões é um custo médio diluído da máquina, não o custo direto de cada projeto.

    Por sessão

    Orçamento anual da Câmara Municipal de Belo Horizonte: R$ 440.602.500 Votações em plenário no ano: 134

    Conta direta R$ 440.602.500 ÷ 134 = R$ 3.288.078

    *Cada votação em plenário “carrega” um custo médio de cerca de R$ 3,3 milhões.

    Falta prioridade?

    Claro que, nesses valores, estão incluídos apenas os gastos com o trabalho parlamentar de votar projetos, mas cada vereador pode dispor de outras atividades que também geram custos (viagens, visitas técnicas, reuniões etc).

    Mas, para quem trabalha o mês todo e ainda tem que se virar para pagar todas as contas do mês, o mínimo que se espera é que o dinheiro pago em impostos retorne como melhoria de vida.

    E essa melhoria está em chegar no posto de saúde ou UPA e ter médicos para te atender, sem precisar ficar horas esperando ser chamado, ou poder voltar do trabalho sem precisar se espremer no ônibus pagando uma passagem de valor justo.

    Mas ainda dá para caber as necessidades do povo no orçamento, ou ainda vamos ter que pagar para manter uma máquina que só funciona para impulsionar carreira parlamentar?

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    Sobre o autor

    Jô Andrade

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    Jornalista especialista em textos pela UFMG, com passagens pelos veículos g1, BHAZ e Sou BH. Experiência em jornalismo digital, reportagem e edição de conteúdo.

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