Quem é Antônio Freixo Jr., o 'Mineiro' apontado como operador de pagamentos do filme 'Dark Horse'
Empresário mineiro aparece em mensagens relacionadas ao fluxo de pagamentos do filme biográfico de Jair Bolsonaro.

Jô Andrade
Repórter
Montagem mostra fotos de Antônio Freixo Júnior, o "Mineiro", e Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução
Em mais um desdobramento da reportagem investigativa "Vaza Flávio", publicada pelo Intercept, que revelou um esquema bilionário envolvendo o financiamento do filme biográfico "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, com recursos ligados ao banqueiro preso Daniel Vorcaro, um novo personagem surge na história. Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro", é apontado como um dos responsáveis por operacionalizar o fluxo de pagamentos relacionado ao projeto.
Segundo mensagens obtidas pelo Intercept, Vorcaro enviou uma planilha ao seu cunhado Fabiano Zettel, pastor e operador financeiro de Daniel Vorcaro, com a seguinte mensagem:
“Sobre o filme só foi pago a primeira de janeiro. Precisa me ajudar a contralae isso. Tem que pagar a segunda e a terceira" Em seguida, Zettel responde: “Vou pra cima do Mineiro. Passei o fluxo pra ele. Achei que tava fazendo”.
Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, é executivo ligado à Entre Investimentos e Participações, empresa fundada em 2018. Em seu perfil do Linkedin, ele se apresenta como founder e CEO da Entre, “grupo que tem como foco estar entre empresas e pessoas para criar um ambiente de negócios através de soluções dinâmicas, fáceis e transparentes”.

Nascido em Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais, o Mineiro revelou em entrevista ao MoneyPlay Podcast, em 2021, que seu primeiro emprego foi no Banco Nacional, aos 14 anos.
Ele trabalhava como office-boy, e foi contratado por um gerente que havia trabalhado anteriormente com seu avô. Ainda segundo Freixo Júnior, seu avô fundou o Banco Hipotecário em Pouso Alegre. Antes de completar 15 anos, ele já tinha o próprio talão de cheque.
Ainda segundo ele, antes do primeiro emprego no banco, ele pegava jornais não utilizados pela vizinhança e vendia para um açougue da região. Ele também diz que já vendeu garrafas, pipas e “sacolés” (chup-chup). Depois disso, o Mineiro foi trabalhar em uma banca de jornais do próprio primo, onde ele dizia ser “o chato da banca” que vigiava quem estava lendo as revistas sem pagar.
“Eu sempre tive esse negócio de ter o meu dinheiro, a cabeça sempre foi de empreendedor [...] é legal ter alguém que te estimule, que não te dê nada de graça. Eu falo que eu sou um grande sortudo, todos os lugares que trabalhei sempre me deram possibilidade de criar”, trecho da entrevista do Mineiro ao MoneyPlay Podcast.
Em suas redes sociais, ele se apresenta como executivo de sucesso com mais de 30 anos de experiência no mercado financeiro, com especialização no atendimento de UHNW e HNW - sigla do mercado financeiro que diz respeito aos donos de fortunas que ultrapassam os US$ 10 milhões, e patrimônios que variam entre US$ 1 e 5 milhões.

Ele também menciona que ocupou cargos de liderança no Banco Garantia, onde foi vice-presidente, e no Credit Suisse, banco em que ajudou a estabelecer a tesouraria internacional e outras áreas.
Além disso, Mineiro afirma que foi um dos primeiros a trabalhar com tecnologias financeiras como Swift, sistema de liquidação Euroclear e Bloomberg, que chegaram ao Brasil nos anos 1990. Também atuou na área de private, gerenciando ativos locais e offshore.
“No seu ecossistema temos a Entre Investimentos, empresa de serviços de orientação no desenvolvimento de estruturas e soluções personalizadas para o mercado financeiro, e a EntrePay, que oferece soluções tecnológicas para pagamentos com foco em levar soluções aos subadquirentes e lojistas”, diz a descrição do perfil do Mineiro.
A empresa em questão aparece nos comprovantes obtidos pelo Intercept. Um registro emitido pelo sistema SWIFT, utilizado para transferências financeiras internacionais, aponta o envio de US$ 2 milhões ao Havengate Development Fund LP, controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
O documento é datado de 13 de fevereiro de 2025 e, de acordo com a reportagem, registra o que seria a primeira transferência internacional destinada ao financiamento do projeto "Dark Horse".
Ainda conforme o comprovante, a operação teve como remetente a Entre Investimentos e Participações Ltda., foi processada pelo Banco BS2 e teve como destino uma conta do Havengate vinculada ao JPMorgan Chase Bank.
A reportagem procurou a Entre Participações, mas não obteve retorno até o final desta edição.
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