“Recua, Facista!”: Pré-candidatos bolsonaristas causam confusão na UFMG
O desafio era "provar" que o presidente Lula é "melhor para o Brasil" do que o ex-presidente Jair Bolsonaro

Alícia Lanna
Jornalista

Reprodução/Redes sociais
Uma dupla de pré-candidatos bolsonaristas resolveu transformar a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em cenário de “experimento social” nesta quarta (22/4). A ideia? Chegar provocando estudantes com um desafio digno de vídeo de engajamento: pagar R$500 no Pix pra quem “provasse” que Lula é melhor que Jair Bolsonaro para o Brasil.
O influenciador e pré-candidato a deputado estadual por São Paulo Douglas Garcia (União Brasil), com 2 milhões de seguidores no Instagram, estava acompanhado pela influenciadora Marilia Amaral (PL), esposa do deputado estadual Cabo Junio Amaral (PL) e pré-candidata a deputada estadual por Minas Gerais. A dupla colocou um cartaz em tamanho real do ex-presidente Jair Bolsonaro, e propôs um desafio: “Lula é melhor que Bolsonaro para o Brasil? Pix de R$ 500 para quem provar”.
Não por acaso, o desafio foi filmado em frente à Faculdade de Ciências Humanas e Filosofia (FAFICH), prédio histórico ligado à resistência contra a ditadura militar, e com forte presença do movimento estudantil.
Em meio às gravações, um grupo se formou e começou a protestar contra a presença da dupla gritando “Recua, fascista, recua”. Em seguida, o grupo se envolveu numa confusão generalizada e entraram em confronto físico. Os seguranças precisaram intervir e eles foram conduzidos até a saída da universidade.
O Diretório Acadêmico da Fafich publicou vídeo afirmando que os pré-candidatos agrediram fisicamente os estudantes e usaram gás de pimenta contra os estudantes. Eles negam a acusação e dizem que foram alvo de “ataques injustificáveis”.
Não é a primeira vez que Douglas Garcia transforma a universidade em palco de conflito.
Em janeiro deste ano, durante um evento na Universidade de São Paulo (USP) que marcava os três anos dos atos de 8 de janeiro, ele apareceu ao lado do vereador Rubinho Nunes com a proposta de “questionar” a realização de um ato político dentro da universidade.
Subiu nas galerias, começou a gravar vídeos e, previsivelmente, virou alvo de protestos. Vieram gritos, empurrões e, no fim, a retirada sob tensão, com direito a camisa rasgada no caminho.
O roteiro não é nada novo. É o mesmo tipo de estratégia que ficou conhecida com Arthur do Val (ex-deputado estadual por SP) durante a execução do seu mandato e com o deputado federal por SP Kim Kataguiri (MISSÃO): chegar com câmera ligada, provocar em ambientes já tensionados, extrair reação e transformar o conflito em conteúdo.
Primeiro vem a provocação, depois, a reação. Por fim, a narrativa de vítima está pronta para circular. O objetivo? Atrair atenção, surfar na onda bolsonarista e ganhar visibilidade. Afinal, quem não é visto não é lembrado, não é mesmo?
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