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    Tarifa zero: dá pra ter transporte público de graça no carnaval?

    Transporte coletivo em BH pesa no bolso do folião e reacende debate sobre tarifa zero.

    Jô Andrade

    Jô Andrade

    Repórter

    4 min10 de fevereiro de 2026
    Tarifa zero: dá pra ter transporte público de graça no carnaval?

    Foto: Marcos Gomes

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    A festa mais popular da cidade também deveria contar com transporte coletivo de qualidade e a preço popular. Em tempos em que a passagem dos ônibus convencionais custa R$ 6,25 em Belo Horizonte, ainda é possível cogitar catraca livre durante os dias de Carnaval? Segundo o Movimento Tarifa Zero, é sim, mas é preciso mobilização popular para pressionar a prefeitura e as empresas de ônibus.

    Há mais de dez anos, o Tarifa Zero atua ao lado da população de BH na luta por um transporte coletivo mais justo, tanto em qualidade quanto em preço. Uma das conquistas mais recentes desse movimento foi a implementação da tarifa zero aos domingos e feriados, o que trouxe mais economia para trabalhadores, estudantes e toda a população que depende do transporte público.

    Apesar da vitória, o sistema de ônibus de Belo Horizonte ainda exclui por causa do alto valor da passagem. Um trabalhador que mora, por exemplo, em um bairro da região Nordeste de BH, e precisa se deslocar diariamente até o Belvedere, na região Centro-Sul, gasta pelo menos R$ 25 em um único dia. Em seis dias de trabalho, o custo chega a R$ 150 apenas com transporte. O que daria pra fazer com R$150, né?

    O Carnaval de rua de Belo Horizonte dura oficialmente quatro dias, mas a festa começa ainda em janeiro, semanas antes do calendário oficial. O folião que precisa sair de casa para acompanhar os blocos desembolsa, no mínimo, R$ 12,50 por dia, isso se a gente considerar que a pessoa só vai fazer uma viagem de ida e outra de volta.

    Ao longo dos quatro dias de Carnaval, esse gasto chega a R$ 50 somente em transporte coletivo, isso se o usuário utilizar apenas dois ônibus por dia. Caso precise de mais deslocamentos, o valor é ainda maior. Diante desse cenário, qual é o nível de urgência para que a população cobre do poder público a gratuidade no transporte?

    André Veloso, doutor em economia e integrante do Movimento Tarifa Zero BH, contou que a prefeitura tem todos os instrumentos de política pública necessários para garantir o transporte gratuito no período carnavalesco.

    “A tarifa zero atualmente contempla domingos e feriados. Durante o Carnaval, teremos um domingo e a terça-feira, feriado de Carnaval, que, pela política vigente, já deveriam ter gratuidade. Cabe à população cobrar da prefeitura, já que o Executivo tem todos os instrumentos de política pública em mãos”, explica Veloso.

    Há dez anos, a passagem dos ônibus convencionais custava R$ 3,70. Desde então, o valor subiu absurdos 68,9%. Relembre, abaixo, os reajustes:

    • 2016: R$ 3,70
    • 2017: R$ 4,05
    • 2018: R$ 4,50
    • 2023: houve tentativa de aumento de R$ 4,50 para R$ 6,00; após protestos, a tarifa foi reajustada para R$ 5,25
    • 2024: R$ 5,25
    • 2025: R$ 5,75
    • 2026: R$ 6,25

    Belo Horizonte está entre as capitais com a passagem de ônibus mais cara do país. O reajuste de 2026 também é o maior da região Sudeste. Só para se ter uma dieia, a tarifa em São Paulo é de R$ 5,30; no Rio de Janeiro, R$ 5,00; e, em Vitória, R$ 4,90.

    De acordo com a nota técnica Impacto Socioeconômico da Implementação da Tarifa Zero no Transporte Público de Belo Horizonte, elaborada por pesquisadores do CEDEPLAR (Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional) da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG e publicada em outubro de 2025, BH está entre as cidades brasileiras com maior número de usuários de transporte público, o que mostra uma forte dependência desse tipo de modal.

    O estudo aponta que 88,17% dos gastos com transporte público na capital são para o sistema de ônibus. Por causa dessa dependência, os custos com deslocamento comprometem uma parcela importante da renda familiar, chegando a cerca de 19% entre as famílias de baixa renda.

    “A tarifa que pagamos hoje é um instrumento ruim, que não funciona. Ela expulsa as pessoas do sistema, reduz o número de passageiros e obriga muitas famílias a escolher entre gastar com comida ou com transporte”, afirma o pesquisador.
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    Jornalista especialista em textos pela UFMG, com passagens pelos veículos g1, BHAZ e Sou BH. Experiência em jornalismo digital, reportagem e edição de conteúdo.

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