"Times Square"? Entenda projeto que pode encher Praça Sete de publicidade em telões
Proposta prevê painéis de LED em prédios históricos da Praça Sete, mas levanta debate sobre excesso de publicidade no Centro de BH.

Redação
Institucional

Praça Sete, no Centro de BH. Foto: PBH/Divulgação
O projeto que quer transformar a Praça Sete em uma "Times Square" de Belo Horizonte deu mais um passo para sair do papel. Há algumas semanas, o Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte (CDPCM-BH) aprovou a instalação de grandes painéis de LED em três prédios históricos da região, permitindo que a proposta avance.
A autorização vale para o Edifício Helena Passig, o antigo Banco Mineiro de Produção e atual P7 Criativo, e o Brasil Palace Hotel. A aprovação, no entanto, ainda não significa que os telões serão instalados.
O projeto ainda precisa passar pela análise de outros órgãos, como o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) e a Subsecretaria de Regulação Urbana de Belo Horizonte. Se outros prédios forem incluídos na proposta, eles também terão que ser avaliados.
A criação da chamada "Times Square de BH" começou a ganhar forma em 2024, quando o vereador Wanderley Porto (PRD) apresentou o Projeto de Lei 911/2024. Vale lembrar que, no ano seguinte, o mesmo vereador propôs o “Dia Municipal dos Legendários”, um programa empresarial e religioso que cresceu em uma igreja neopentecostal de BH.
A proposta da Times Square foi aprovada em segundo turno pela Câmara Municipal de Belo Horizonte no dia 27 de fevereiro de 2025, com 30 votos favoráveis e 10 contrários, e sancionada pelo então prefeito em exercício, Álvaro Damião (União), sem vetos.
De acordo com o texto, é permitida a instalação de painéis de LED de até 40 metros de altura, que poderão ocupar no máximo 30% da fachada dos prédios. Os telões estão previstos para edifícios localizados nos cruzamentos da Praça Sete entre as avenidas Amazonas e Afonso Pena com as ruas Rio de Janeiro e dos Carijós.
Na época da aprovação, a Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura em Minas Gerais questionou a necessidade de transformar um dos maiores cartões-postais da cidade em um espaço dominado por publicidade.
“O que significa transformar um dos maiores cartões-postais da cidade em um espaço dominado por publicidade? Será que estamos cuidando do nosso patrimônio ou o descaracterizando em nome de interesses econômicos?”, disse em nota.
Ainda segundo a Associação, a justificativa do projeto cita a “valorização do patrimônio cultural” com “uso inovador e com adaptações responsáveis” e "alinhada ao Plano Diretor”. No entanto, essa é uma narrativa tendenciosa do que realmente deveria ser considerado.
“É fundamental questionarmos: inserir publicidade em prédios tombados é realmente valorizar a cultura da nossa cidade? Ou estamos apenas abrindo espaço para interesses comerciais em detrimento da memória e identidade urbana de Belo Horizonte? Agora, o texto segue para sanção ou veto do prefeito. Como BH quer ser lembrada?”.
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