Xôti Falá
    Início
    Diálogo
    Nossa Cidade
    Planeta
    Cena
    Gente
    Prosa
    Sobre nós
    Home/Nossa Cidade
    cidadefeministasegurança

    Uma nova geografia: a difícil tarefa de transformar uma cidade em feminista

    Quando mulheres são impedidas de ir e vir, por falta de condições ou segurança, reforçamos a manutenção de privilégios e do poder masculino.

    Márcia Maria Cruz

    Márcia Maria Cruz

    Colunista

    3 min20 de abril de 2026
    Uma nova geografia: a difícil tarefa de transformar uma cidade  em feminista

    Foto: Reprodução/Internet

    Compartilhar

    Quando as mulheres são impedidas de ir e vir, por razões materiais ou por uma percepção de falta de segurança, estamos contribuindo para manutenção de privilégios e poder masculino.

    Você já andou pela cidade e sentiu medo? De acordo com sua resposta, podemos inferir, com certeza, se você é homem ou mulher. Se você é mulher, fatalmente já sentiu medo ao andar pelas ruas e praças. A experiência das mulheres no espaço urbano é atravessada pelo medo de uma forma bem distinta da vivência dos homens. Com alguns exemplos podemos trazer indícios dessa diferença de percepção entre homens e mulheres: mulheres assediadas no transporte público, abusos sexuais nas ruas, casos de estupros e outros tipos de violência. Mas o que a maneira como a cidade é concebida tem a ver com tudo isso? Você já se perguntou, se as cidades fossem olhadas a partir da lente do gênero, como os espaços urbanos podem ser vivenciados?

    Essa reflexão sobre uma cidade menos hostil às mulheres é proposta pelo livro "Cidade feminista: A luta por espaço em um mundo desenhado por homens", da autora canadense Leslie Kern. Te convido para fazer essa reflexão. A autora apresenta uma abordagem histórica do estabelecimento das cidades desde o processo de industrialização e modernização e nos convoca a pensar sobre a geografia das cidades, principalmente as metrópoles.

    É uma revolução nós mulheres deixarmos o ambiente doméstico e ocuparmos os espaços públicos com nossos corpos, ideias, sonhos, jeito de ser. Mas a nossa presença no espaço urbano é marcado pelo que somos porque a arquitetura, a urbanização não é neutra. Mesmo sem pensar na diferença que a arquitetura pode representar para homens e mulheres, nós, mulheres, criamos mapas mentais para se deslocar que embasam questionamentos frequentes: o que você estava fazendo naquele local ermo? Por quê estava sozinha naquele bairro? Por quê escolheu aquele caminho? Você não viu que o local não estava iluminado, por quê passou por lá?

    Além do aspecto material, ainda há um imaginário em relação à cidade, que molda a nossa percepção quanto a segurança. Fica a percepção de que a cidade não foi construída para nós mulheres circularmos. Ao longo da história, rompemos com essa geografia, quando ocupamos cargos que não foram pensados para nós, quando nos envolvemos em causas sociais, nos engajamos em movimentos políticos ou não performamos a feminilidade esperada. Os medos não afastam a vivência das mulheres nas cidades, mas moldam o jeito de estar. Ao recorrer a ideia de uma geografia feminista, a autora nos coloca a pensar sobre a nossa relação com o ambiente. É nesse sentido, que podemos fazer um exercício de imaginação para pensar como as cidades podem ser mais feministas:

    • Com uma melhor iluminação
    • Com melhor mobilidade urbana, com transporte que não facilite os casos de assédio
    • Com espaços públicos em que as mães possam levar os filhos para que possam brincar
    • Com muros mais baixos e com visibilidade
    • Praças iluminadas, onde podemos encontrar lugar para sentar, descansar e tomar uma água

    Quando as mulheres são impedidas de ir e vir, por razões materiais ou por uma percepção de falta de segurança, estamos contribuindo para manutenção de privilégios e poder masculino. Por isso, todos os movimentos para tornar as cidades mais feministas são importantes. É um movimento de tornar o espaço urbano melhor para todos, para homens e mulheres.

    Compartilhar:

    Tags:

    cidadefeministasegurança

    Sobre o autor

    Márcia Maria Cruz

    Márcia Maria Cruz

    Colunista

    Jornalista e doutora em Ciência Política. Autora dos livros “Morro do Papagaio”, “Maria Mazarello – preto no branco, lutas e livros" e “Vidas inteiras – Histórias dos 10 anos da Lei de Cotas. Semifinalista do Prêmio Jabuti e vencedora do Troféu Mulher Imprensa.

    Xotifala

    Jornalismo independente, acessível e comprometido com a verdade.

    Editorias

    • Diálogo
    • Nossa Cidade
    • Planeta
    • Cena
    • Gente
    • Prosa

    Institucional

    • Sobre nós
    • Política Editorial
    • Política de Privacidade
    • Termos de Uso
    • Teia de Criadores
    Xôtiscutá!

    Tem uma história importante? Queremos escutar você.

    Enviar email

    © 2026 Xotifala. Todos os direitos reservados.

    Feito por Buzz33