Vítimas dos próprios companheiros: Três casos em três dias expõem escalada da violência contra mulheres em BH
Casos registrados em menos de uma semana reforçam um cenário persistente de violência de gênero em Minas Gerais.

Jô Andrade
Repórter

Sargento da PM é preso suspeito de feminicídio contra a companheira, capitã da corporação. Foto: Reprodução/Redes sociais
Nos últimos dias, uma sequência de casos de violência contra mulheres em Belo Horizonte expôs, mais uma vez, a gravidade de um problema que segue fazendo vítimas em Minas Gerais.
Em menos de uma semana, uma capitã da Polícia Militar morreu com sinais de violência e o marido foi preso suspeito de feminicídio; uma mulher de 35 anos foi encontrada morta dentro do seu apartamento e o namorado confessou o crime; e outra vítima sobreviveu após ser agredida e arremessada da sacada de um prédio na Região Leste da capital.
Os episódios não são isolados. São um alerta para a persistência da gravidade da violência de gênero e a escalada de crimes que vitimam mulheres todos os dias.
De acordo com a pesquisa "Retrato dos Feminicídios no Brasil", do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cerca de 60% das vítimas de feminicídio foram mortas pelos próprios companheiros.
Além dos atuais parceiros, em 21,3% dos casos essas mulheres foram mortas por ex-companheiros. Outros familiares aparecem em 10,2% dos registros.
“O autor não é um estranho. É o atual companheiro, responsável por quase seis em cada 10 feminicídios registrados no país. Ou é o ex-companheiro, autor de dois em cada 10 casos, que não aceita o fim da relação e responde com controle e agressão. A arma utilizada não é, na maioria das vezes, um instrumento sofisticado: é uma faca, machado ou canivete. Ou uma arma de fogo, muitas vezes também disponível no ambiente doméstico, guardada ali supostamente para proteção, mas que se transforma em instrumento de crime em um quarto das ocorrências”, diz a pesquisa.
Minas Gerais registrou 78 casos de feminicídio no primeiro semestre de 2026. No ano passado, foram 170 mulheres assassinadas, e outras 209 que sobreviveram ao crime - que na maioria dos casos é cometido pelo namorado, marido ou ex.
Corpo em apartamento: Stifanie Ribeiro Firmino Silva, de 35 anos, foi encontrada morta dentro de seu apartamento, com sinais de asfixia, também na segunda-feira (20). O namorado confessou o crime à polícia. O corpo foi encontrado após vizinhos notarem o sumiço da vítima.
Morte de capitã da PM: A capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, chegou sem vida ao Hospital Odilon Behrens, em BH, com marcas de agressão e traumatismo craniano na noite de segunda-feira (20). O marido da vítima, sargento da corporação, foi quem a levou ao pronto-atendimento, e acabou preso em flagrante por suspeita de feminicídio.
Arremessada da sacada: Uma mulher de 31 anos sobreviveu após ser espancada e atirada do terceiro andar de um prédio no bairro Jonas Veiga, na manhã de terça-feira (21), na Região Leste de BH. A Polícia Militar encontrou a vítima caída, com um corte na cabeça e sangramento. A mulher ligou para uma amiga durante a madrugada, que pediu socorro enquanto era agredida pelo companheiro. Ele foi preso suspeito de tentativa de feminicídio.
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